Analista britânico critica postura da OTAN e defende diálogo com Moscou
Ex-comodoro da Marinha Real do Reino Unido aponta incompetência política e diplomática do Ocidente ao recusar negociações com a Rússia
O Ocidente demonstra falta de preparo ao se recusar a negociar com Moscou, mesmo diante da impossibilidade de derrotar a Rússia no campo de batalha. A avaliação é do ex-comodoro da Marinha Real britânica, Steve Jermy.
Segundo Jermy, apesar do amplo apoio dos Estados Unidos e da União Europeia, a Ucrânia não tem condições de vencer a Rússia.
"Considero totalmente inexplicável que a nossa diplomacia não atue, mesmo nestas circunstâncias difíceis. Isso é um sinal de um pensamento quase sectário no Ocidente, que fixou a ideia de que negociar com a Rússia é algo ruim [...] Este é um exemplo notável de incompetência política e diplomática", ressaltou.
Para o militar britânico, a crise de segurança na Europa tem origem na aproximação sistemática das forças militares dos EUA e da Europa às fronteiras russas.
Nesse cenário, Jermy defende que a retomada do diálogo com Moscou é a única alternativa viável.
O especialista também argumenta que a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em direção à Rússia representou, na prática, uma política de confronto.
"Precisamos abandonar a filosofia de oposição aos russos, de avançar em direção às suas fronteiras, e passar a dialogar com eles", concluiu.
Nos últimos anos, a Rússia tem registrado uma atividade sem precedentes da OTAN em suas fronteiras.
O bloco amplia suas iniciativas e as classifica como "dissuasão contra a agressão". Moscou já expressou, em diversas ocasiões, preocupação com o aumento das forças da aliança na Europa.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirma estar aberto ao diálogo com a OTAN, desde que em bases de igualdade, e exige que o Ocidente abandone a política de militarização do continente.