Confisco de ativos russos pode abalar euro e sistema financeiro europeu, alerta analista
Especialista russo aponta que medida pode provocar fuga de capitais e colapso da confiança no euro, com impactos globais.
A confiança no sistema financeiro europeu pode entrar em colapso caso haja confisco de ativos russos, alerta Aleksandr Losev, membro do Conselho de Política Externa e de Defesa da Rússia, em entrevista à Sputnik.
De acordo com Losev, o euro corre o risco de perder sua base de sustentação, cenário que, segundo ele, é plenamente compreendido pelos dirigentes do Banco Central Europeu e do depositário Euroclear.
"As consequências para a Europa são evidentes, razão pela qual todas as pessoas sensatas se opõem a essa decisão: ela destrói a confiança no sistema financeiro europeu. Consequentemente, a Europa perderá capitais chineses, asiáticos e das monarquias do Oriente Médio", destacou o analista.
Losev detalhou que o confisco de ativos com alto nível de imunidade representa uma grave violação do direito internacional, deixando o euro sem respaldo.
O especialista lembrou ainda que o dólar, o euro e o sistema financeiro ocidental moderno se baseiam essencialmente na confiança. Sem esse elemento, acrescentou, o sistema financeiro ocidental estaria fadado ao colapso.
"Isso é perfeitamente compreendido pela presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, pela presidente da Euroclear, Valérie Urbain, e pelo governo belga: não há fundamentos jurídicos para o confisco", concluiu Losev.
Na última quinta-feira (27), o presidente russo Vladimir Putin também afirmou que a eventual confiscação de ativos russos reduziria drasticamente a confiança na zona do euro, classificando a medida como um ato de apropriação indevida.
Atualmente, mais de € 200 bilhões (R$ 1,24 trilhão) em ativos russos estão congelados na União Europeia, em grande parte depositados em contas da Euroclear, na Bélgica.
A Comissão Europeia pressiona Bruxelas a autorizar o uso de cerca de € 140 bilhões (R$ 865 bilhões) no chamado "crédito reparatório", que a Ucrânia devolveria caso a Rússia pague indenizações após o conflito. O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, já afirmou que exige garantias sólidas de outros países europeus antes de aprovar a proposta.
Entre janeiro e julho, o bloco transferiu € 10,1 bilhões (R$ 62,4 bilhões) à Ucrânia, provenientes dos rendimentos dos ativos congelados do Banco Central da Rússia. Em resposta, Moscou impôs restrições: recursos de investidores de países considerados hostis passaram a ser retidos em contas especiais do tipo "C", que só podem ser movimentadas mediante autorização de comissão governamental.