MERCADO FINANCEIRO

Dólar oscila com disputa técnica da Ptax e impacto de dados de emprego e fiscais

Moeda norte-americana registra volatilidade em meio à formação da Ptax, indicadores de desemprego e resultados fiscais; mercado acompanha apetite por risco após feriado nos EUA.

Publicado em 28/11/2025 às 09:47

O mercado de câmbio opera com forte volatilidade nesta sexta-feira (1º), marcada pela formação da taxa Ptax de fim de novembro. O dólar à vista chegou a retomar a queda observada nos primeiros negócios, acompanhando a valorização de algumas moedas emergentes pares do real, em meio a um leve apetite por risco com o retorno dos investidores após o feriado nos Estados Unidos. Pontualmente, a moeda norte-americana chegou a subir até R$ 5,3570 (+0,09%).

A curva de juros e o real ganharam impulso após a divulgação dos dados positivos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que reforçaram a resiliência do mercado de trabalho brasileiro. O cenário alimenta expectativas de manutenção da Selic, especialmente após o tom duro do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a resistência da economia diante da política monetária restritiva.

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em outubro, segundo a Pnad Contínua do IBGE. O resultado veio no piso das projeções coletadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de 5,4% a 5,7%.

O número de desalentados no país chegou a 2,647 milhões no trimestre até outubro, uma redução de 49 mil em relação a julho (-1,8%) e de 352 mil em um ano (-11,7%), de acordo com o IBGE.

Já a massa salarial atingiu R$ 357,3 bilhões no trimestre até outubro, alta de 5% em um ano (+R$ 16,9 bilhões) e de 0,9% em relação a julho (+R$ 3,3 bilhões).

No campo fiscal, o setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais, exceto Petrobras e Eletrobras) registrou superávit primário de R$ 32,392 bilhões em outubro, após saldo negativo de R$ 17,452 bilhões em setembro, informou o Banco Central. O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas do Projeções Broadcast, que apontava superávit de R$ 34,10 bilhões.

Nos 12 meses até outubro, o setor público consolidado acumulou déficit primário de R$ 37,726 bilhões, equivalente a 0,30% do PIB, conforme o BC. O déficit aumentou em relação a setembro (0,27% do PIB) e é o maior para o período de 12 meses desde janeiro de 2025, quando alcançou 0,39% do PIB.

Em outra frente, a Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira a Operação Fake Road, que investiga supostas irregularidades em contratos de pavimentação do DNOCS financiados por emendas parlamentares em Fortaleza e Natal.