INDÚSTRIA AERONÁUTICA

Embraer ameaça rever investimentos nos EUA caso tarifas não sejam zeradas, afirma diretor financeiro

Antônio Garcia, CFO da Embraer, alerta que tarifas de 10% impõem perdas de competitividade e podem levar empresa a cancelar aportes nos Estados Unidos

Por Por Sputinik Brasil Publicado em 28/11/2025 às 11:03
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Embraer poderá rever e até cancelar parte dos investimentos previstos nos Estados Unidos caso o governo norte-americano não elimine as tarifas de 10% aplicadas ao setor aeronáutico brasileiro. O alerta foi feito pelo diretor financeiro da Embraer, Antônio Garcia, em entrevista ao Money Times durante a cerimônia do Prêmio Equilibrista, promovido pelo IBEF-SP.

Segundo Garcia, os investimentos anunciados recentemente foram definidos antes da imposição das tarifas. No entanto, ele ressalta que, sem mudanças nesse cenário, a companhia poderá reavaliar os aportes planejados.

O executivo destacou que as tarifas, implementadas ainda durante o governo Donald Trump, têm prejudicado a competitividade da Embraer no seu principal mercado de aviação regional: os próprios Estados Unidos.

"Quem paga a tarifa é o cliente final. Nós estamos perdendo competitividade", afirmou Garcia.

Ele explicou que a Embraer vem adotando medidas para reduzir os impactos das tarifas, que chegaram a ser elevadas para 50% em julho, mas posteriormente foram reduzidas novamente.

"Meu trabalho foi tentar reduzir ao máximo, internamente, os impactos das tarifas na nossa operação. Deu resultado, mas ainda é um incômodo. Todos os nossos concorrentes já voltaram para a tarifa zero. Se as coisas não mudarem, vamos rever nossa política de investimentos", alertou o diretor financeiro.

Em outubro, a Embraer anunciou um investimento de R$ 376 milhões para construir um novo hangar de manutenção no Texas, parte de um total de US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões) previstos para os próximos cinco anos. A unidade de Melbourne, na Flórida, também deverá receber novos aportes. A empresa ainda avalia destinar outros US$ 500 milhões ao país, caso o cargueiro KC-390 seja selecionado pela Força Aérea norte-americana.