SEGURANÇA PÚBLICA

Cinco PMs do Choque são presos suspeitos de crimes durante megaoperação no Rio

Policiais do Batalhão de Choque são investigados por supostos desvios de conduta, incluindo furto de armamento, durante ação que resultou em 121 mortes nos Complexos da Penha e do Alemão

Publicado em 28/11/2025 às 11:59
Cinco PMs do Choque são presos suspeitos de crimes durante megaoperação no Rio Reprodução / Agência Brasil

Cinco policiais militares do Batalhão de Choque foram presos pela Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro, suspeitos de envolvimento em crimes durante a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, em 28 de outubro, contra o Comando Vermelho. Além das prisões, estão sendo cumpridos 10 mandados de busca e apreensão. No total, dez policiais do Batalhão de Choque são alvos da investigação.

Segundo a Polícia Militar, a apuração teve como ponto de partida a análise das imagens das câmeras corporais utilizadas pelos agentes na operação, que terminou com 121 mortos nos Complexos da Penha e do Alemão. As investigações estão sob responsabilidade da 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), que identificou indícios de crimes militares cometidos durante o serviço.

Em nota, a corporação afirmou: "O comando da corporação reitera que não compactua com possíveis desvios de conduta ou cometimento de crimes praticados por seus entes, punindo com rigor os envolvidos quando constatados os fatos".

Furto de fuzil para revenda

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (CDDHC), presidida pela deputada Dani Monteiro, acompanha o andamento da operação. Segundo comunicado da Comissão, um dos crimes investigados seria o furto de um fuzil, supostamente destinado à revenda para traficantes.

"Os indícios revelados pelas câmeras corporais, incluindo o furto de um fuzil possivelmente destinado à revenda para criminosos, segundo as investigações, apenas confirmam o que a CDDHC alertava desde aquela manhã sangrenta: além do número inaceitável de mortes, a operação foi marcada por graves violações e por práticas incompatíveis com qualquer política de segurança pública responsável", destacou a Comissão.

Outro ponto de preocupação levantado pela CDDHC foi a falta de funcionamento de grande parte das câmeras corporais das unidades envolvidas na operação. "É preocupante o fato de que mais da metade das câmeras corporais das unidades envolvidas não estava funcionando naquele dia, o que cria lacunas graves na transparência e dificulta o controle externo da atividade policial", conclui a nota.