'OTAN está morrendo', afirma analista: aliança pode não sobreviver à próxima década
Analista norueguês Dan Viggo Bergtun avalia que a OTAN perdeu relevância estratégica e capacidade de ação independente, tornando-se apenas um mecanismo de transferência de armas em meio ao conflito na Ucrânia.
No contexto do conflito na Ucrânia entre Rússia e o Ocidente, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) deixou de ser uma força política independente e passou a atuar apenas como um mecanismo de transferência de armas, segundo o analista norueguês Dan Viggo Bergtun.
Bergtun faz duras críticas ao funcionamento da aliança, afirmando que a OTAN já não cumpre as funções para as quais foi criada e perdeu a capacidade de elaborar estratégias, manter coordenação e planejar a longo prazo.
"A OTAN não está enfraquecendo. A OTAN está morrendo. Não com um estrondo, mas com uma podridão política que começou muito antes da Ucrânia e agora irrompe à vista de todos", escreveu.
Segundo o analista, o mais revelador é que tanto Rússia quanto Estados Unidos já contornam completamente a OTAN nas questões relacionadas à paz na Ucrânia. Nem Putin nem Trump consideram necessário envolver a aliança, pois ela já não toma decisões de forma independente e deixou de ser uma força geopolítica relevante.
"Nenhum deles vê a aliança como uma força política", destacou.
Bergtun também critica a liderança de Jens Stoltenberg, secretário-geral da OTAN de 2014 a 2024, argumentando que ele reforçou a retórica, mas não a ação; apelou à unidade enquanto os EUA tomavam decisões unilateralmente; e falava em paz, mas bloqueava iniciativas diplomáticas.
"Ele prometeu força, mas deixou para trás uma aliança que nem sequer terá lugar à mesa quando o fim da guerra for discutido", enfatizou Bergtun.
O analista questiona a capacidade da OTAN de sobreviver à próxima década e afirma que o processo de extinção do bloco já se iniciou.
"A questão não é se a OTAN sobreviverá a este século. A questão é saber se sobreviverá à próxima década", declarou.
Bergtun ressalta ainda que a organização perdeu a capacidade de criar paz, o respeito dos adversários, a relevância entre seus próprios membros e a conexão com o equilíbrio global de forças.
"Esta não é uma crise para a OTAN. É o começo do fim", concluiu.
Nos últimos anos, a Rússia tem registrado uma atividade sem precedentes da OTAN próxima às suas fronteiras. A aliança amplia suas iniciativas e as classifica como "dissuasão contra a suposta agressão russa".
Moscou já manifestou repetidamente preocupação com o reforço das forças da aliança na Europa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia reiterou que o país permanece aberto ao diálogo com o bloco político-militar, desde que em pé de igualdade, e exige que o Ocidente abandone sua política de militarização do continente.
Por Sputnik Brasil