Preço do petróleo está 25% menor em relação ao início de 2024, afirma presidente da Petrobras
Magda Chambriard destaca impacto da queda do Brent no novo plano de negócios da estatal, que projeta investimentos de US$ 109 bilhões até 2030 e mantém política de dividendos.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, atribuiu à desvalorização do petróleo a definição dos investimentos da estatal para os próximos cinco anos. Durante coletiva sobre o novo Plano de Negócios (PN) 2026-2030, realizada nesta sexta-feira (28), Magda ressaltou que o plano apresentado prevê uma redução significativa na projeção do preço do Brent, com valores estimados em US$ 63 por barril para 2026 e US$ 70 para 2030.
"Chamo a atenção para o fato de que, do primeiro semestre do ano passado até agora, houve uma queda de US$ 20 por barril no preço do petróleo cru", afirmou Magda. "Hoje, em novembro, estamos com 75% do valor do Brent em relação ao início de 2024."
Ela fez ainda uma analogia com finanças pessoais: "O que significaria, nas contas de cada um, ter o salário reduzido a 75% de um ano para o outro? Que ajustes seriam necessários para equilibrar as contas? É esse exercício que estamos fazendo."
A CEO destacou que "muitos cenaristas projetam o petróleo em US$ 50 no início do próximo ano" e ponderou: "Com preços baixos, produtores tendem a frear a produção, o que pode elevar o valor; por isso, estimamos US$ 70 para os quatro anos finais do plano."
Investimentos previstos pela estatal
Apesar do cenário desafiador, Magda ressaltou que o volume de investimentos planejado pela Petrobras é relevante para a economia brasileira. "Representa 5% de todo o investimento realizado no país", afirmou.
Na véspera, a estatal anunciou o plano quinquenal, que prevê US$ 109 bilhões em investimentos totais entre 2026 e 2030, uma redução de 1,8% em relação ao plano anterior. Desse montante, US$ 81 bilhões já estão garantidos, US$ 10 bilhões serão revisados trimestralmente até 2027 e US$ 18 bilhões passarão por análise futura.
O diretor financeiro, Fernando Melgarejo, destacou que o Brent de equilíbrio foi reduzido para US$ 59 em 2026, ante US$ 80 no plano anterior. "Consultamos mais de 30 especialistas do setor para definir os indicadores de preço do óleo", afirmou.
Magda reforçou que a empresa atua com cautela e atenção ao endividamento, mas sem abrir mão de investimentos estratégicos. "Todas as estimativas para o preço do petróleo têm margem de erro. O próximo ano será desafiador, mas o cenário pode mudar. Se adotássemos a premissa mais radical (US$ 50), poderíamos deixar de investir em projetos importantes. Por isso, US$ 10 bilhões da carteira de implantação serão revisados trimestralmente e concorrerão entre si", explicou. "Estamos revisando projetos e implementando medidas para otimizar custos, buscando uma economia de 8,5% nos gastos operacionais até 2030."
Política de dividendos permanece
Magda Chambriard garantiu que a Petrobras mantém o compromisso com investidores e a saúde financeira da companhia. "Nossa política de dividendos está mantida e o endividamento, sob controle", declarou.
A estatal prevê geração de caixa entre US$ 190 bilhões e US$ 220 bilhões nos próximos cinco anos, com estimativa de pagamento de dividendos ordinários entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões, conforme documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Por fim, a executiva afirmou que a Petrobras está adotando medidas para reduzir custos em US$ 12 bilhões, mas que, até o momento, não há previsão de uma nova carteira de desinvestimentos.