MERCADO FINANCEIRO

Dólar recua 0,32% e fecha novembro a R$ 5,33 com apetite global por risco

Moeda americana acompanha desempenho de emergentes e é influenciada por fluxo externo, cenário fiscal e expectativas sobre juros nos EUA

Publicado em 28/11/2025 às 18:54
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O dólar à vista encerrou o último pregão de novembro em queda frente ao real, devolvendo parte dos ganhos da véspera. A moeda americana recuou 0,32%, cotada a R$ 5,3348, após oscilar entre a mínima de R$ 5,3245 e a máxima de R$ 5,3570. A sessão foi marcada por liquidez reduzida, reflexo do pregão mais curto em Nova York, ainda sob efeito do feriado de Ação de Graças, além da disputa pela última taxa Ptax do mês e da rolagem de contratos futuros.

O real acompanhou o desempenho positivo de outras moedas emergentes, impulsionado pela expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve em dezembro e pelo enfraquecimento do índice DXY. O ambiente global mais favorável e a busca por ativos de maior risco beneficiaram moedas de países como Brasil, Colômbia e China. O fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira, com o Ibovespa renovando máximas históricas, também contribuiu para o fortalecimento do real.

Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, avalia que o movimento de queda do dólar resulta de uma combinação entre correção técnica e influência do cenário externo. "Ontem o dólar subiu um pouco e, nesta sexta-feira (28), vimos uma desaceleração, muito ligada a fatores técnicos de fechamento de mês e à correção dessas altas recentes", explicou.

Anilson Moretti, head de câmbio da HCI Advisors, destacou a forte movimentação relacionada à rolagem de contratos futuros e à formação da Ptax, em um contexto de maior fluxo para a Bolsa. Ele também lembrou que fatores como o resultado do Caged abaixo do esperado, discussões sobre incentivos para dividendos, a pauta fiscal em debate no governo e no Congresso, além da decisão da Moody’s de manter o rating do Brasil estável, compuseram o cenário do mercado de câmbio nesta semana. Para Moretti, a combinação de fluxo, juros elevados e ambiente externo mais positivo pode levar o dólar a buscar os níveis de R$ 5,30 e até R$ 5,25 em dezembro.

Na mesma linha, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, ressaltou que o último pregão de novembro foi marcado por melhora no sentimento global e maior apetite por risco, tanto no Brasil quanto no exterior. "O bom desempenho das moedas emergentes ao longo da semana reforçou o movimento favorável ao real", afirmou em nota.

No cenário doméstico, operadores seguem atentos à agenda fiscal e ao ambiente político, marcado pela derrubada de vetos à Lei do Licenciamento Ambiental, incertezas sobre a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pressões por emendas parlamentares. A percepção predominante é que esses fatores limitam uma valorização mais acentuada do real, mesmo diante de um dólar globalmente mais fraco e de fluxo positivo para ativos brasileiros.