Compras de final de ano: como praticar o consumo consciente é essencial para a saúde psicológica
O ambiente de ofertas intensas pode acionar gatilhos emocionais em pessoas com tendência à compulsão por compras
As compras de final de ano, que tem início já com a Black Friday, marca um período em que o mercado oferece produtos e serviços com preços mais atrativos, criando oportunidades de economia na reta final do ano. Apesar disso, o ambiente de ofertas intensas pode acionar gatilhos emocionais em pessoas com tendência à compulsão por compras. A pressão por aproveitar descontos, somada ao volume de estímulos, favorece decisões impulsivas e pouco planejadas, aumentando o risco de endividamento e peso psicológico.
De acordo com Anne Santos, psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UNINASSAU Maceió, os gatilhos mais comuns envolvem emoções intensas e mal reguladas, como ansiedade, vazio emocional, baixa autoestima, sensação de falta de controle e busca por recompensas rápidas. “Em datas como a Black Friday, e as promoções de final de ano, há uma combinação de pressão social, sensação de oportunidade imperdível e estímulos constantes, ativando o mecanismo de recompensa do cérebro. Para algumas pessoas, comprar funciona como alívio imediato de desconfortos internos”, disse.
O ato de comprar oferece dopamina com sensação rápida de bem-estar. Sem outras estratégias emocionais, o consumo passa a funcionar como válvula de escape para a ansiedade e estresse. “Campanhas agressivas exploram vulnerabilidades ao acionar gatilhos como escassez, urgência, prova social e âncoras de preço, criando sensação de decisão imediata. O excesso de estímulos reduz o processamento racional e favorece respostas impulsivas, impedindo uma avaliação real da necessidade de compra”, explicou a especialista.
Quando o comportamento de consumo passa a causar sofrimento, endividamento, conflitos ou impacto funcional, já é um indicativo importante de problema. Alguns sinais de alerta incluem compras para aliviar emoções negativas, sentir culpa, arrependimento ou vergonha após o ato. “Esconder gastos da família ou parceiros, perder o controle com as compras, como consumir mais do que pretendia ou pode pagar naquele momento, sentir desconforto intenso quando tenta não comprar ou quando a compra se torna uma das principais fontes de prazer na vida são alguns dos sinais”, alertou.
A coordenadora pontuou algumas práticas que podem ajudar a desenvolver o consumo consciente em períodos de promoção, como criar listas de compras e definição de orçamento. “Listas e orçamentos antecipam decisões, dão clareza às necessidades reais e enfraquecem impulsos momentâneos. A prática da espera de 24 horas antes de comprar itens não essenciais ajuda a perceber se o interesse permanece. Questionar motivos da compra também orienta escolhas mais conscientes. Reduzir exposição a promoções e perfis de lojas diminui impulsividade e aproxima o consumo dos próprios valores”.
Caso as compras assumam o papel de principal válvula para lidar com emoções, o acompanhamento psicológico é indicado. O tratamento psicológico envolve identificar gatilhos emocionais ligados ao impulso de comprar e desenvolver formas mais saudáveis de regular emoções e lidar com impulsividade. “Também inclui explorar relações entre consumo, autoestima e sensação de pertencimento. Em casos com grande dificuldade financeira ou sofrimento intenso, pode haver encaminhamento para orientação financeira ou avaliação psiquiátrica”, finalizou a coordenadora de Psicologia da UNINASSAU Maceió.