Quem é Osvaldo Nico Gonçalves, novo secretário de Segurança Pública de São Paulo
Delegado com mais de 40 anos de carreira, Nico assume a pasta após passagem marcante por casos de grande repercussão e atuação na linha de frente da Polícia Civil
O delegado Osvaldo Nico Gonçalves assume, a partir de 1º de dezembro, o comando da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Com mais de quatro décadas dedicadas à Polícia Civil, Nico, como é conhecido, vinha exercendo o cargo de secretário-executivo da pasta, o segundo posto mais importante sob a gestão de Guilherme Derrite, que deixa o cargo na mesma data.
Aos 68 anos, Nico construiu uma trajetória marcada por diferentes funções na segurança pública paulista. Foi chefe da Delegacia Antissequestro, delegado-geral da Polícia Civil durante o governo Rodrigo Garcia, em 2022, e esteve à frente de operações e prisões de grande repercussão nacional.
Mesmo ocupando cargos administrativos, como o de delegado-geral, Nico manteve-se próximo das operações policiais, atuando ao lado de agentes e investigadores na linha de frente das diligências.
Entre suas principais contribuições, destacam-se a fundação do primeiro Grupo de Operações Especiais (GOE) e o comando de equipes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Grupo Armado de Repressão a Roubos (Garra).
Em 2020, Nico liderou a equipe responsável pela prisão de Fabrício Queiroz em Atibaia, interior de São Paulo. Na ocasião, 15 policiais e cinco viaturas participaram da ação, cujo alvo só foi revelado pouco antes da chegada ao local. Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi encontrado na casa do advogado Frederick Wassef e preso por suspeita de envolvimento em um esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). "Pegamos o Queiroz dormindo. Ele acordou com a gente do lado dele", relatou Nico à época. Queiroz foi solto em 2021 por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Outros casos de destaque sob sua condução incluem a prisão do médico Roger Abdelmassih, em 2014, condenado por estupro, e a captura de Maurício Hernandez Norambuena, líder do sequestro do publicitário Washington Olivetto em 2001.
O primeiro caso de grande repercussão de Nico ocorreu em 2005, quando prendeu o jogador argentino Leandro Desábato, do Quilmes, por racismo contra o atacante Grafite, do São Paulo, durante uma partida da Libertadores. Nico estava no estádio para coibir a extorsão de flanelinhas, tomou conhecimento do caso e efetuou a prisão ainda no gramado.
Como secretário-executivo, o gabinete de Nico era decorado com dezenas de fotografias e recortes de jornais que retratam sua trajetória. Entre as imagens, há registros ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Além da carreira policial, Nico também é conhecido pelo envolvimento da família no ramo gastronômico. Ele é sócio minoritário de três pizzarias administradas pela esposa e filhos, sendo a mais antiga localizada no bairro do Ipiranga, zona sul da capital, há mais de 40 anos. Segundo o delegado, ele não participa da gestão dos negócios, que incluem ainda um bar e um restaurante de comida italiana.
Indicação
A escolha de Nico é considerada conservadora por manter um nome já pertencente à cúpula da secretaria e atender à demanda de policiais civis, após a pasta ter sido comandada por um representante da Polícia Militar.
Guilherme Derrite, que se licenciou provisoriamente para reassumir mandato na Câmara dos Deputados e relatar o projeto de lei Antifacção, já havia anunciado a saída da secretaria, mas sem data definida. A expectativa é que a despedida ocorra durante a cerimônia de aniversário do batalhão Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), no centro de São Paulo.