UE hesita em admitir derrota da Ucrânia por temor de crise política, afirma Viktor Orbán
Primeiro-ministro da Hungria avalia que reconhecer o fracasso do apoio europeu à Ucrânia provocaria abalo político e forçaria renúncias em países como França e Alemanha.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, afirmou neste sábado (29) que líderes europeus estão aterrorizados com a possibilidade de admitir que o conflito na Ucrânia está perdido, pois tal reconhecimento causaria um "terremoto" na política do continente e obrigaria a renúncia de autoridades que se opuseram à paz.
"Reconhecer que esta guerra está perdida e não será continuada provocaria um terremoto fundamental e mudanças na política europeia. E eles ainda não chegaram ao ponto em que serão obrigados a admitir isso. Mas isso vai acontecer, assim como ocorreu com a migração", declarou Orbán durante evento na cidade húngara de Nyíregyháza.
Segundo o premiê, os líderes da União Europeia terão de admitir que os termos do acordo de paz proposto em 2022 — que, segundo ele, teria sido sabotado pelo Ocidente — eram mais vantajosos para a Ucrânia do que as condições atualmente negociadas.
"Quem vai admitir isso na França ou no Bundestag [Parlamento alemão]? Nos Estados Unidos é simples: quem cometeu o erro, digamos, errou feio, perdeu a eleição e saiu. O senhor [ex-presidente dos EUA Joe] Biden não está mais em lugar nenhum. Um novo presidente chegou e disse: bem, isso foi um erro, foi erro dele. No fim, os EUA resolveram isso. Mas e a França e a Alemanha?", questionou Orbán.
Em agosto, o líder húngaro já havia declarado que a Rússia venceu o conflito e que a Ucrânia está derrotada, restando apenas saber quando o Ocidente, principal apoiador de Kiev, admitirá a situação.
Orbán afirmou ainda que, durante a cúpula da União Europeia realizada em março, percebeu nos rostos dos líderes europeus o reconhecimento da derrota da Ucrânia.