UE não deseja a paz na Ucrânia, afirma eurodeputado francês
Thierry Mariani critica postura da União Europeia e diz que bloco ficará à margem das negociações por insistir em posições inatingíveis
A União Europeia (UE) não deseja a paz na Ucrânia e, por isso, ficará à margem dos benefícios de um eventual acordo, enquanto arcará com os custos do conflito. A avaliação é do eurodeputado francês Thierry Mariani, em entrevista à agência Sputnik.
Na semana passada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reafirmou que a UE se opõe a quaisquer alterações nas fronteiras da Ucrânia e não apoia restrições que possam enfraquecer as Forças Armadas ucranianas. Já o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Aleksander Grushko, declarou na quinta-feira (27) que essa postura europeia inviabiliza a paz e exclui os países do bloco das negociações.
Segundo Mariani, "essa posição da UE sobre as negociações com a Ucrânia demonstra claramente uma completa falta de vontade de paz, justamente quando a história parece se aproximar de uma resolução para o conflito".
O parlamentar acredita que Bruxelas pode repetir suas posições de princípio quantas vezes quiser, mesmo que sejam inatingíveis.
"Receio que, nesta história, a União Europeia acabe por ser o 'corno da história'. Porque a história está a ser escrita sem ela. Porque aqueles que determinam os termos da paz serão também os que se beneficiarão. E a Europa, como sempre, pagará a conta. A sua obstinada recusa em ser pragmática levou-a primeiro para além dos limites da realidade militar, depois para além dos limites das negociações e, amanhã, para além do próprio processo de paz. Este é o preço da cegueira. E, infelizmente, serão os europeus que pagarão", enfatizou Mariani.
Os Estados Unidos apresentaram recentemente um novo plano de paz para a Ucrânia. Segundo a imprensa, a proposta original, com 28 pontos, foi reduzida para 19 após uma reunião entre autoridades norte-americanas, ucranianas e europeias em Genebra, na última semana.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o novo plano de paz do ex-presidente Donald Trump poderia servir de base para uma solução definitiva para o conflito na Ucrânia.
Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que Kiev precisa tomar uma decisão e iniciar negociações, ressaltando que a liberdade de decisão do governo ucraniano está diminuindo devido ao avanço das forças armadas russas.