RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Brasil pressiona EUA por fim de sanções e alívio a indústria; 22% das exportações seguem tarifadas

Governo brasileiro busca negociar suspensão de sanções a autoridades e redução de tarifas sobre produtos manufaturados, que continuam impactando 22% das exportações para os Estados Unidos.

Por Sputinik Brasil Publicado em 30/11/2025 às 07:51
© Foto / Lula Marques/Agência Brasil

O governo brasileiro intensifica esforços para defender a indústria nacional e negociar a suspensão de sanções a autoridades, enquanto 22% das exportações para os Estados Unidos permanecem sujeitas a sobretaxas de 40%. Brasília avalia que Washington deve exigir contrapartidas para avançar em novas reduções do tarifaço imposto durante a gestão Trump.

De acordo com apuração do G1, a prioridade do governo brasileiro é proteger o setor industrial e buscar avanços nas exportações, além de solucionar sanções contra autoridades nacionais. Apesar do alívio trazido ao agronegócio pela retirada da sobretaxa de 40% sobre produtos como carne e café, anunciada por Donald Trump em novembro, os manufaturados continuam sob forte impacto tarifário.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que 22% das exportações brasileiras aos EUA seguem com tarifa de 40% ou combinadas com 10%, enquanto outros 15% enfrentam apenas a tarifa de 10%. O restante está isento ou sujeito às tarifas previstas na Seção 232.

Considerando os US$ 40,4 bilhões (mais de R$ 215,6 bilhões) exportados em 2024, o governo calcula que US$ 8,9 bilhões (cerca de R$ 47,5 bilhões) permanecem sob tarifa de 40%, US$ 6,2 bilhões (aproximadamente R$ 33,09 bilhões) sob tarifa de 10%, US$ 14,3 bilhões (cerca de R$ 76,3 bilhões) livres de sobretaxas e US$ 10,9 bilhões (mais de R$ 58,1 bilhões) afetados pela Seção 232. Os números reforçam a necessidade de novas negociações.

Ainda segundo a imprensa, além da pauta industrial, o Brasil tenta resolver sanções impostas a autoridades nacionais, como a suspensão de vistos de ministros e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O governo considera que essas medidas prejudicam o diálogo bilateral.

Na avaliação de Brasília, houve tentativa inicial de incluir Jair Bolsonaro nas negociações, mas o tema não avançou. Com a retomada do diálogo, o governo entende que as sanções perderam sentido. Em julho, Trump chegou a afirmar que Bolsonaro deveria ser "deixado em paz", classificando o caso como "caça às bruxas".