CRISE POLÍTICA

Atritos entre Poderes se intensificam e fragilizam alianças às vésperas do ano eleitoral

Indicação de Jorge Messias ao STF, disputas sobre PECs e projetos polêmicos elevam tensão entre Executivo, Legislativo e Judiciário, impactando alianças em ano pré-eleitoral

Por Sputnik Brasil Publicado em 30/11/2025 às 10:08
© Foto / Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O clima de tensão entre governo federal, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF) se acirrou em 2025, agravando o isolamento político e fragilizando alianças estratégicas às vésperas do ano eleitoral.

Segundo a Folha de S.Paulo, a indicação de Jorge Messias ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos principais pontos de desestabilização, contrariando lideranças como Davi Alcolumbre (União Brasil) e ministros que preferiam o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga.

A já delicada relação entre o Executivo e a Câmara dos Deputados se deteriorou ainda mais com a tramitação da PEC da Blindagem e do Projeto de Lei Antifacção. A escolha de Hugo Motta (Republicanos) por Guilherme Derrite (Progressistas-SP) como relator irritou Lula e ampliou a tensão. Paralelamente, Motta rompeu com líderes do PT e do PL, formando um bloco de 275 deputados e isolando essas bancadas.

A ausência de Motta e Alcolumbre na cerimônia de aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil evidenciou o distanciamento entre os Poderes. Parlamentares apontam a falta de diálogo e de liderança como fatores que agravam a crise, que deveria ser contida pelos chefes das instituições.

O Congresso também derrubou vetos presidenciais sobre o licenciamento ambiental e aprovou a aposentadoria especial para agentes de saúde, contrariando a vontade do Executivo. Alcolumbre negou retaliação, mas admitiu ter votos suficientes para barrar a indicação de Messias, sinalizando resistência ao Planalto.

No STF, ministros como Alexandre de Moraes e Flávio Dino manifestaram preferência por Pacheco, o que enfraqueceu a sintonia com o governo. Ainda assim, alguns integrantes da Corte apoiaram Messias. A atuação de Dino contra irregularidades em emendas parlamentares aumentou o desgaste com o Congresso, que reclama da dificuldade em liberar recursos para suas bases.

A relação entre Câmara e Senado também foi abalada, especialmente após o Senado rejeitar a PEC da Blindagem, deixando a Câmara isolada diante do STF e sob desgaste público. Apesar disso, Motta e Alcolumbre ensaiaram reaproximação, como visto na COP 30, em tentativa de recompor alianças.

De acordo com a cientista política Argelina Cheibub Figueiredo, ouvida pela Folha, a crise é política e não institucional, marcada pelo distanciamento ideológico entre Lula e a maioria do Congresso, que se aproxima da direita mais radical em função das eleições presidenciais. Segundo ela, cada Poder utiliza sua força política, e os embates refletem a tentativa da direita de se reorganizar e se tornar mais coesa contra o governo.