ECONOMIA GLOBAL

Galípolo avalia que impacto de tarifas dos EUA não ocorreu como previsto

Presidente do Banco Central destaca que efeitos das tarifas ainda são debatidos e aponta expectativa de menor pressão inflacionária com avanços em produtividade

Publicado em 01/12/2025 às 11:18
Galípolo avalia que impacto de tarifas dos EUA não ocorreu como previsto

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira, 1º de dezembro, que os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos à economia global não se concretizaram conforme o esperado. Segundo ele, ainda existe debate sobre uma possível defasagem desses efeitos, mas, até o momento, o cenário previsto não se confirmou.

Galípolo acrescentou que, em relação à inflação, a percepção predominante no mercado é de que o tarifaço tende a provocar uma mudança pontual no nível de preços, em vez de desencadear um processo inflacionário contínuo. "Por isso, não se observa uma desancoragem da inflação em outros períodos", ressaltou.

O presidente do BC também destacou que, olhando para o futuro, a expectativa é de menor pressão inflacionária devido ao impacto da inteligência artificial (IA) no aumento da produtividade. Esse avanço, segundo ele, pode contribuir para um "mercado de trabalho mais flexível". "Essa combinação de ganho de produtividade com um mercado de trabalho mais solto tende a criar um cenário menos inflacionário", avaliou.

Galípolo observou ainda que essa é a visão predominante entre investidores estrangeiros, embora haja maior cautela por parte dos banqueiros centrais. "Sempre existe uma ressalva maior por parte dos bancos centrais; já o mercado costuma ser mais otimista em relação à IA", ponderou.

As declarações foram feitas durante palestra no XP Fórum Político & Macro 2025, realizado em São Paulo.