POLÍTICA MONETÁRIA

Galípolo afirma que alta de juros desde 2024 foi decisiva para cenário atual

Presidente do Banco Central destaca importância das decisões do Copom e afirma que política monetária segue cautelosa diante das incertezas

Publicado em 01/12/2025 às 12:37
Galípolo afirma que alta de juros desde 2024 foi decisiva para cenário atual

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira, 1º de dezembro, que o cenário econômico seria bastante diferente caso a autoridade monetária não tivesse promovido um rápido aumento da taxa Selic a partir do fim de 2024. Na última reunião sob comando do ex-presidente Roberto Campos Neto, em dezembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou os juros em 1 ponto percentual, sinalizando mais duas altas da mesma magnitude nas reuniões seguintes.

“Estou muito convencido de que, se não tivéssemos feito o que fizemos na virada do ano, estaríamos em uma situação bastante diferente da que estamos hoje”, declarou Galípolo durante evento promovido pela XP, em São Paulo. “Não há dúvida de que a postura do Banco Central naquele momento foi absolutamente importante.”

Galípolo respondia a questionamentos sobre a importância de “surpresas positivas” na atuação do BC para o mercado. Até o fim do ano passado, parte do mercado financeiro temia que Galípolo — indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, crítico do nível elevado da Selic — pudesse adotar uma postura mais branda em relação à inflação e reduzir os juros.

Segundo o presidente do BC, houve questionamentos sobre qual seria a função de reação da autoridade monetária com a chegada de novos integrantes. Posteriormente, parte do mercado também questionou se a política monetária seria eficaz. “A gente não tinha dúvida sobre esse tema, porque no Vaticano todo mundo tem fé. Nós somos o Banco Central, todo mundo acredita em política monetária”, brincou Galípolo.

Ele ressaltou que, por uma característica estrutural, a economia brasileira precisa conviver com taxas de juros mais altas do que as de outros países. “O Banco Central vai sempre reafirmar que seu mandato é esse. Se for preciso dar uma dose maior do remédio para fazer efeito, ele dará a dose maior para buscar o objetivo”, afirmou.

Sinalizações

O presidente do Banco Central afirmou ainda que o Copom não possui, no momento, uma sinalização definida sobre o próximo passo da política monetária, pois segue analisando os dados disponíveis.

Galípolo explicou que as informações reunidas até agora permitiram migrar do estágio anterior — em que se avaliava se a Selic a 15% era suficientemente contracionista — para o atual, em que se percebe que o nível vigente está impactando a inflação, mas não na velocidade desejada.

“É isso que os dados nos permitem transmitir hoje. Não estamos deixando de comunicar por opção, mas porque realmente estamos acompanhando a cada 45 dias como as coisas se comportam, diante do ambiente de incertezas e de possíveis fatos novos”, pontuou.

Galípolo acrescentou que o mercado busca uma palavra ou código que “dê a seta”, mas que o colegiado não vê necessidade de adotar esse tipo de sinalização.

Sobre a manutenção do termo “bastante prolongado” nas comunicações recentes, explicou que o “bastante não zera a cada nova reunião”. “É um período em curso e, como temos dito, apesar disso, entendemos que o processo de convergência da inflação é lento.”

Ele finalizou dizendo que o colegiado não deseja aumentar a volatilidade do mercado, mas entende que não há obrigação de criar um “código” para antecipar futuras decisões.