Flybondi investe US$ 1,7 bilhão em até 35 novos aviões Airbus e Boeing
Companhia argentina amplia frota, mira expansão no Brasil e se torna pioneira ao operar Airbus A220 na América Latina
A Flybondi, companhia aérea low cost da Argentina, anunciou um investimento de US$ 1,7 bilhão para aquisição de até 35 novas aeronaves Airbus e Boeing. O acordo, formalizado por meio de um memorando de entendimentos (MOU), prevê 25 pedidos firmes e 10 opções de compra, o que pode ampliar a frota da empresa em até 230% nos próximos quatro anos.
O aporte será liderado pelo principal acionista da Flybondi, o fundo norte-americano COC Global Enterprise. As primeiras entregas estão previstas para o fim de 2027, com os Airbus A220 chegando até 2029 e os Boeing 737 MAX 10 até 2030.
Do total, 15 aeronaves serão do modelo Airbus A220-300, com possibilidade de aquisição de outras cinco, tornando a Flybondi a primeira operadora do A220 na América Latina. A empresa também encomendou 10 Boeing 737 MAX 10, com opção para mais cinco.
Segundo o CEO da Flybondi, Mauricio Sana, a nova frota permitirá ampliar a oferta de assentos em rotas domésticas, expandir destinos e reduzir emissões. "A nova frota permitirá consolidar mercados fora da Argentina e abrir novas oportunidades na América Latina e no Caribe ao longo dos próximos cinco anos", afirmou o executivo em coletiva de imprensa.
No Brasil, Sana destacou o potencial de expansão no Nordeste. "Já falamos sobre o potencial de conectar a Argentina a essa região do Brasil. Com a nova frota, teremos condições técnicas para isso, mas ainda precisamos estudar", explicou, sem detalhar prazos ou destinos.
Além do Brasil, o executivo mencionou planos de expansão para Paraguai e Peru, com retomada e lançamento de rotas para Assunção e o início da ligação Iguazú-Lima. Sana também não descartou avaliar, futuramente, oportunidades na Colômbia e Bolívia, condicionadas ao ambiente regulatório.
Atualmente, a Flybondi opera 32 rotas, sendo 22 domésticas e 10 internacionais, atendendo 23 destinos, incluindo cidades no Brasil, Paraguai e, desde esta semana, Peru. No Brasil, a companhia já voa para Rio de Janeiro, Florianópolis, Salvador e Maceió.
Consolidação e competição
Em meio ao movimento de consolidações no setor, Mauricio Sana negou planos de fusões ou integrações com outros grupos. "Não temos planos de fusões ou consolidações. A independência é o que permite apostar em projetos como este. Pelo menos pelos próximos três ou quatro anos, seguiremos independentes", afirmou.
O executivo reconheceu, entretanto, que o ambiente competitivo na região está em transformação. Segundo ele, o mercado latino-americano "já está polarizado" entre dois grandes grupos, Abra e Latam, indicando um cenário mais concentrado para os próximos anos. Recentemente, o grupo Abra, controlador da Gol e da Avianca, anunciou acordo para integrar a chilena Sky ao grupo.