MERCADO DE TRABALHO

IBGE aponta auge de 24,4% dos idosos trabalhando em 2024; taxa de desemprego cai para 2,9%

Proporção de pessoas com 60 anos ou mais no mercado de trabalho atinge recorde, com avanço maior entre mulheres, aponta IBGE.

Publicado em 03/12/2025 às 12:31
IBGE Reprodução

O número de idosos trabalhando no Brasil atingiu um patamar histórico em 2024. Segundo a Síntese dos Indicadores Sociais (SIS) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (3), o nível de ocupação das pessoas com 60 anos ou mais subiu para 24,4%, superando os 23,0% registrados em 2023.

A taxa de desemprego entre os idosos também recuou, passando de 3,5% em 2023 para 2,9% em 2024.

De acordo com o IBGE, fatores como o aumento da expectativa de vida, mudanças nos arranjos familiares, alta informalidade no mercado de trabalho e a reforma da Previdência de 2019 contribuem para a permanência dos idosos no mercado de trabalho por mais tempo.

Em 2024, o Brasil contava com 34,1 milhões de idosos, representando 19,7% da população em idade ativa. Entre os idosos, 55,9% eram mulheres e 44,1% homens. O nível de ocupação foi maior entre os homens (34,2%) do que entre as mulheres (16,7%), uma diferença de 17,4 pontos percentuais.

O IBGE explica que essa diferença está relacionada a regras distintas de aposentadoria entre os sexos e à menor participação das mulheres no mercado de trabalho ao longo da vida, devido às responsabilidades com tarefas domésticas e cuidados familiares.

Antes da pandemia, em 2019, a proporção de mulheres idosas ocupadas era de 14,6%, contra 33,8% dos homens. O avanço do nível de ocupação foi, portanto, mais expressivo entre as mulheres.

"O aumento na ocupação entre os idosos tem ocorrido especialmente entre as mulheres", destaca Denise Guichard, técnica do IBGE. "A Reforma da Previdência de 2019 é um dos fatores que faz com que as pessoas tenham que trabalhar mais tempo. É preciso contribuir por mais tempo para se aposentar", acrescenta.

Em 2024, entre 60 e 69 anos, quase metade dos homens (48,0%) estavam trabalhando, enquanto entre as mulheres a proporção era de 26,2%. No grupo com 70 anos ou mais, 15,7% dos homens e 5,8% das mulheres permaneciam ativos no mercado de trabalho.

Quanto à forma de inserção, 43,3% dos idosos atuavam por conta própria, 17,0% como empregados com carteira assinada e 11,3% como empregados sem carteira assinada.

O rendimento médio real habitual do trabalho principal foi de R$ 3.108 para a média da população ocupada, enquanto o dos idosos foi 14,6% superior, atingindo R$ 3.561. Mulheres idosas receberam R$ 2.718, valor 33,2% inferior aos R$ 4.071 recebidos pelos homens idosos. Pretos e pardos nessa faixa etária ganhavam em média R$ 2.403, ou 48,7% menos que os brancos, que recebiam R$ 4.687.

O rendimento por hora médio dos ocupados no país foi de R$ 19,20 em 2024, subindo para R$ 25,60 entre os idosos. Homens idosos recebiam R$ 28,10 por hora, enquanto as mulheres recebiam R$ 21,60. Entre os idosos brancos, o valor era de R$ 33,10 por hora, quase o dobro dos negros (R$ 17,90).