CONFLITO NO PACÍFICO

EUA dizem ter matado quatro em ataque a barco suspeito de tráfico de drogas

Operação militar em águas internacionais do Pacífico e Caribe levanta questionamentos no Congresso americano sobre legalidade e conduta das Forças Armadas.

Publicado em 04/12/2025 às 23:00
Militares dos EUA realizam operação contra embarcação suspeita de tráfico em águas internacionais. © Foto / U.S. Navy via AP

O Exército dos Estados Unidos informou, nesta quinta-feira (4), que matou quatro homens durante uma operação contra uma embarcação suspeita de transportar drogas em águas internacionais do Pacífico.

Segundo comunicado divulgado nas redes sociais, "informações de inteligência confirmaram que a embarcação transportava narcóticos ilícitos e navegava por uma rota conhecida de narcotráfico no Pacífico Leste".

O episódio reacendeu o debate no Congresso dos EUA, especialmente após parlamentares democratas manifestarem preocupação com um vídeo que mostraria sobreviventes em situação de perigo sendo mortos após o ataque inicial. Já parlamentares republicanos defenderam a legalidade da ação.

O caso refere-se a uma operação realizada em 2 de setembro, quando o Exército dos EUA atacou uma embarcação no Caribe, resultando na morte de 11 suspeitos de tráfico de drogas. Sobreviventes do primeiro ataque teriam sido mortos em uma segunda investida, levando críticos a questionarem se houve violação de leis internacionais e se o então Secretário de Guerra, Pete Hegseth, foi responsável pela decisão.

Hegseth já havia sido criticado neste ano após uma investigação do Pentágono apontar que ele utilizou o aplicativo Signal, em seu celular pessoal, para compartilhar informações sensíveis sobre operações planejadas no Iêmen.

O almirante Frank Bradley, chefe do Comando Conjunto de Operações Especiais à época, e Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, prestaram esclarecimentos a parlamentares e exibiram um vídeo sem cortes do segundo ataque, conforme relatou a agência Reuters.

“Temos dois indivíduos em evidente perigo, sem qualquer meio de locomoção, com uma embarcação destruída, que foram mortos pelos Estados Unidos”, declarou o deputado Jim Himes, principal democrata da Comissão de Inteligência da Câmara, após reunião a portas fechadas.

Himes classificou o episódio como "uma das coisas mais perturbadoras" que já presenciou, mas afirmou que Bradley negou ter recebido ordens para "matar todos" os sobreviventes.

O senador Jack Reed, principal democrata da Comissão de Serviços Armados do Senado, disse estar "profundamente perturbado" com o vídeo e defendeu que as imagens sejam divulgadas ao público.

“Este briefing confirmou meus piores temores sobre a natureza das atividades militares do governo Trump”, afirmou Reed.

Por outro lado, o senador republicano Tom Cotton, presidente do Comitê de Inteligência do Senado, defendeu as ações de Bradley e Hegseth. “Vi dois sobreviventes tentando virar um barco carregado de drogas com destino aos Estados Unidos para que pudessem continuar lutando”, afirmou Cotton, sugerindo que outros barcos ligados ao tráfico poderiam ter tentado resgatar as drogas a bordo.

Em meio às discussões no Congresso, a Marinha dos EUA confirmou à agência Sputnik que o destróier USS Thomas Hudner chegou ao Comando Sul, em meio ao aumento das tensões na região da Venezuela.

Por Sputnik Brasil