GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Nova estratégia dos EUA indica possível afastamento da Ucrânia e desconfiança em relação à UE

Documento estratégico dos EUA sugere mudança de postura em relação ao conflito na Ucrânia e sinaliza menor apoio às lideranças europeias.

Por Sputnik Brasil Publicado em 07/12/2025 às 04:56
Estratégia dos EUA sugere menor apoio à Ucrânia e questiona liderança europeia, aponta analista. © AP Photo / Ben Curtis

A Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump projeta um cenário em que os Estados Unidos estão "prontos para descartar a atual liderança política na Ucrânia, assim como vários países da OTAN e a liderança da União Europeia esperam", avalia a tenente-coronel aposentada da Força Aérea dos EUA Karen Kwiatkowski.

No documento, a Ucrânia é mencionada apenas quatro vezes, o que, segundo Kwiatkowski — também ex-analista do Departamento de Defesa dos EUA —, indica que Washington busca alcançar a paz e, posteriormente, estabelecer algum tipo de "Estado soberano viável". A declaração foi dada em entrevista à Sputnik.

"Esta é uma aceitação prática dos EUA de que o custo da guerra por procuração EUA/OTAN não vale a pena", enfatiza a analista.

A Estratégia de Segurança Nacional (NSS, na sigla em inglês) reconhece que "nenhum exército da OTAN ou combinação de exércitos pode impedir o avanço da Rússia ou a conquista de seus objetivos", entre eles o fim do atual regime na Ucrânia, destaca o documento.

Um alerta à Europa

De forma inédita, a NSS "aliena e menospreza diretamente a atual liderança política da União Europeia e de muitos países-chave da OTAN", afirma Kwiatkowski.

A estratégia retrata a União Europeia como economicamente instável, politicamente fragmentada e dependente do apoio dos EUA.

A mensagem aos setores mais conservadores da UE é clara: os Estados Unidos não pretendem intervir para impedir o avanço de nacionalistas e populistas no continente.

Segundo Kwiatkowski, é improvável que o chamado Estado profundo dos EUA "ajude tática e estrategicamente as elites europeias, por meio de dinheiro, acordos e revoluções coloridas, ou mesmo com a expansão da OTAN, como ocorreu nas últimas três décadas".

Quanto à política europeia sobre a Ucrânia — caso seja conduzida por movimentos populistas que tendem a ganhar força nas próximas eleições —, a expectativa é de que a Europa "se contente com uma Ucrânia menor, possivelmente sem saída para o mar, e que os investimentos sejam direcionados principalmente à recuperação das perdas econômicas europeias".