Brasil exige respeito à soberania venezuelana na ONU sem citar Maduro
Em reunião de emergência, embaixador Sérgio Danese condena rapto do presidente venezuelano e defende princípios da Carta da ONU.
O embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, defendeu nesta segunda-feira (5) o respeito à soberania da Venezuela durante uma reunião emergencial do Conselho de Segurança das Nações Unidas, convocada após o sequestro do presidente Nicolás Maduro. Apesar da gravidade do episódio, Danese não mencionou Maduro nominalmente em seu discurso.
De acordo com o diplomata brasileiro, a operação que resultou no rapto do chefe de Estado venezuelano "cruza uma linha inaceitável", representando um precedente perigoso não apenas para a América Latina e o Caribe, mas para toda a comunidade internacional.
"Esses atos constituem uma afronta muito séria à soberania da Venezuela e devem trazer um precedente muito perigoso para toda a comunidade internacional."
Danese destacou que o episódio evidencia o enfraquecimento da governança internacional e dos mecanismos de cooperação estabelecidos desde a Segunda Guerra Mundial, em meio a um cenário com mais de 60 conflitos armados ativos no mundo.
O embaixador reforçou a necessidade de respeito às normas da Carta da ONU, que proíbem a exploração de recursos naturais ou econômicos como justificativa para mudanças ilegais de governo. Segundo ele, "não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios".
"O Brasil já reiterou em várias ocasiões que as normas de governo devem coexistir entre Estados e são mandatórias e universais. Elas não admitem restrições baseadas em qualquer tipo de interesse ou projeto ideológico, geopolítico, político, econômico ou de qualquer outro tipo."
Durante o discurso, Danese ressaltou que a América Latina e o Caribe devem manter um compromisso duradouro e irreversível com a paz. Ele relembrou episódios de violência na região, que deixaram marcas profundas nas populações latino-americanas.
"Conflitos armados ameaçam a paz internacional e o princípio da não intervenção. Tivemos isso no passado. Contrário à liberdade, à democracia, essas intervenções produziram regimes autoritários e violações muito sérias dos direitos humanos, deixando como resultado milhares de prisioneiros políticos mortos, pessoas torturadas e desaparecidas, cujas famílias ainda hoje procuram por seus entes queridos, assim como por justiça e reparação."
Ao encerrar sua fala, Danese lembrou que Brasil e Venezuela compartilham mais de 2.000 km de fronteira e afirmou que o governo brasileiro não considera a criação de um protetorado como solução para a crise.
"O Brasil não acredita que a solução para a situação na Venezuela seja a criação de protetorados no país. [...] Nós respeitamos a autodeterminação do povo venezuelano dentro da estrutura de sua Constituição. Os eventos de 3 de janeiro transcendem a esfera regional."
Por Sputnik Brasil