MEIO AMBIENTE

Atropelamentos persistem e BR-262 segue rodovia mais fatal para fauna no país

Trecho entre Campo Grande e Corumbá lidera mortes de animais silvestres, apesar de ações governamentais

Por Sputinik Brasil Publicado em 05/01/2026 às 21:08
BR-262 lidera mortes de animais silvestres no Brasil, mesmo com ações para reduzir atropelamentos. © Sputnik Brasil / Guilherme Correia

A morte recente de uma anta na BR-262, em Aquidauana (MS), evidencia a condição da rodovia como a mais letal do país para animais silvestres.

Mesmo com iniciativas anunciadas por governos federal, estadual e municipais, a BR-262 segue registrando milhares de atropelamentos por ano, afetando gravemente a biodiversidade do Pantanal.

De acordo com monitoramento do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), foram mais de 2,3 mil mortes de animais em apenas 12 meses.

O impacto atinge dezenas de espécies, incluindo ameaçadas de extinção, como tamanduás-bandeira, onças-pintadas e antas, que frequentemente cruzam o asfalto em busca de alimento e água.

Ações governamentais

Em novembro de 2025, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou a instalação de cercas condutoras, passagens de fauna e reforço da sinalização em até 170 quilômetros da rodovia.

O plano, aprovado no final de 2024, prevê estruturas subterrâneas e aéreas, adaptações de bueiros e redução de velocidade em trechos críticos, baseando-se em estudos que identificaram os pontos de maior risco.

Técnicos do DNIT informam que as intervenções são fundamentadas em análises do comportamento da fauna e no mapeamento dos locais com maior incidência de atropelamentos. Reuniões públicas em Campo Grande (MS) detalharam que estruturas de dossel também serão instaladas para espécies arbóreas.

No entanto, ambientalistas criticam a lentidão na execução e apontam que parte das obras permanece inacabada.

O governo de Mato Grosso do Sul ampliou o programa "Estrada Viva", com instalação de telas, radares e campanhas educativas para motoristas. Municípios como Aquidauana, Miranda e Corumbá participam de ações de monitoramento, resgate e orientação ambiental, com apoio da Polícia Militar Ambiental (PMA) e instituições locais.

Órgãos federais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), têm realizado vistorias técnicas na BR-262, identificando ajustes necessários e cobrando maior eficácia na implantação de passagens e cercas.

Entre 2017 e 2020, foram registrados 6.650 animais mortos em um trecho de 339 km entre Campo Grande e a ponte sobre o Rio Paraguai, incluindo espécies ameaçadas como tamanduás-bandeira, antas e lobos-guará.

A situação é agravada pela topografia da região e pelo comportamento noturno de muitos animais, que cruzam a rodovia especialmente durante a estação chuvosa, quando os habitats se fragmentam e aumenta o fluxo de veículos.

Especialistas em ecologia de estradas classificam o trecho da BR-262 entre Campo Grande e Corumbá como o mais crítico do país para a fauna silvestre, com registros de até 88 espécies afetadas.

Além de antas, tamanduás e tatus, jacarés e aves também são frequentemente encontrados mortos à margem da estrada, segundo apuração da reportagem.