TENSÃO INTERNACIONAL

Maioria dos americanos teme envolvimento excessivo dos EUA na Venezuela, aponta pesquisa

Levantamento mostra que 72% da população dos EUA está preocupada com a atuação militar no país vizinho; ofensiva resultou na captura de Nicolás Maduro.

Publicado em 05/01/2026 às 21:38
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Uma pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos e divulgada nesta segunda-feira, 5, revela que 72% dos americanos temem que os Estados Unidos se envolvam excessivamente na crise venezuelana. O temor ganhou força após as forças armadas dos EUA terem invadido a Venezuela no último sábado, 3, durante uma operação para capturar o líder Nicolás Maduro.

O levantamento entrevistou 1.248 pessoas em todo o território americano entre os dias 4 e 5 de janeiro. Entre os participantes, apenas um terço (33%) declarou apoio à invasão da Venezuela. Outros 34% se posicionaram contra, enquanto 33% afirmaram não saber ou preferiram não opinar sobre o tema.

Segundo os dados, 65% dos republicanos apoiam a ação militar ordenada pelo presidente Donald Trump, e 59% deles defendem que os EUA assumam o controle dos campos de petróleo venezuelanos. Entre os democratas, apenas 11% aprovaram a ofensiva, enquanto entre os independentes o apoio foi de 23%.

Apesar do equilíbrio entre os que apoiam e os que rejeitam a invasão, a preocupação com um envolvimento exagerado é predominante: 72% dos entrevistados disseram estar apreensivos com essa possibilidade. Outros 25% não demonstraram preocupação, e 3% não souberam responder ou preferiram não opinar.

O governo Trump justificou a operação alegando que Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estariam envolvidos com o narcotráfico e com uma rede de tráfico de drogas nos Estados Unidos. Maduro foi capturado e levado aos EUA, onde responderá às acusações perante um tribunal federal. Em audiência realizada nesta segunda-feira, em Nova York, o ex-presidente venezuelano declarou-se inocente.

Donald Trump também manifestou interesse nas reservas de petróleo da Venezuela e afirmou que os EUA irão reconstruir a infraestrutura petrolífera do país.

Após a prisão de Maduro, Trump anunciou que os EUA administrarão a Venezuela temporariamente até que haja uma transição de poder segura. Nesta segunda-feira, Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, assumiu como presidente interina.

Apesar de inicialmente sinalizar disposição para colaborar com os EUA, Delcy Rodríguez elevou o tom em seu discurso de posse. Ela afirmou que Maduro ainda é o presidente legítimo, chamou-o de "herói" e classificou a invasão americana como "agressão militar ilegítima".

Delcy Rodríguez foi empossada pelo irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. A atuação conjunta dos dois deve ser determinante para a condução da transição de poder na Venezuela.

Após a incursão militar, Trump ameaçou novas ações em países latino-americanos, como Colômbia e México, e chegou a sugerir que uma nova operação seria "uma boa ideia". O presidente americano também voltou a mencionar o interesse em anexar a Groenlândia, território dinamarquês do Ártico com importantes recursos naturais e posição estratégica para os EUA.