ANÁLISE INTERNACIONAL

'Lei do mais forte': ataque dos EUA à Venezuela deveria acender alerta no Brasil, diz analista

Especialistas avaliam que ação dos EUA contra Maduro representa risco à estabilidade regional e serve de alerta para o Brasil.

Publicado em 05/01/2026 às 23:03
Ação dos EUA contra Maduro na Venezuela acende alerta para riscos à soberania brasileira. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

Após quase dois meses de tensão no Caribe, os Estados Unidos, sob comando de Donald Trump, realizaram uma operação que culminou no sequestro de Nicolás Maduro durante a madrugada do fim de semana. Trump justificou a medida como parte do combate ao tráfico internacional e afirmou que governaria a Venezuela provisoriamente, assumindo o controle do petróleo do país.

"Não tem havido nenhum ator capaz de impedir que essas violações continuem acontecendo mundo afora e, talvez, estejamos regredindo em termos de governança global para um cenário em que a lei do mais forte prevalece", analisou a internacionalista Carolina Pedroso.

Com o afastamento de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina da Venezuela. No último fim de semana, ela declarou interesse em trabalhar com os Estados Unidos em uma agenda "baseada na igualdade soberana e na não interferência". Para Carolina Pedroso, a principal questão é se Rodríguez conseguirá manter fidelidade aos princípios que orientaram a Revolução Bolivariana no país.

O analista internacional João Cláudio Pitillo acredita que Trump quis enviar um recado a todo o continente, posicionando-se como "xerife" da política latino-americana. Segundo Pitillo, o episódio deve servir de alerta ao Brasil, principal potência regional. "Nesse sentido, o país deve se preocupar também porque há uma quantidade significativa de agentes de quinta-coluna [grupos que atuam a favor de inimigos da nação]. Assim, a possibilidade de uma invasão ao território brasileiro não é descartável. Em um momento de elevada tensão, o que ocorreu na Venezuela poderia ocorrer no Brasil, inclusive em uma escala ainda maior", avaliou.

Por Sputnik Brasil