OTAN reforça papel estratégico da Groenlândia e reage à retórica de anexação de Trump
Aliança militar amplia presença na ilha e responde a comparações feitas por Trump entre Groenlândia e Venezuela
A OTAN intensifica sua atuação no Ártico ao valorizar o papel estratégico da Groenlândia e buscar neutralizar a retórica de anexação defendida por Donald Trump. A iniciativa ocorre em meio a investimentos militares dinamarqueses e à rejeição europeia às comparações feitas pelo ex-presidente entre a ilha e a crise na Venezuela.
Segundo o Financial Times (FT), autoridades da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) vêm destacando a importância central da Groenlândia para a segurança regional, argumento frequentemente utilizado por Trump. Representantes da aliança avaliam que há espaço para ampliar o foco coletivo no Ártico, em uma tentativa de enfraquecer as propostas do ex-presidente norte-americano sobre uma possível anexação da ilha.
Esses dirigentes também apontam uma mudança de postura entre os membros regionais da OTAN, que passaram a apoiar uma presença mais robusta da aliança no Ártico. O Canadá é citado como exemplo de como o aumento dos investimentos militares contribuiu, no passado, para conter a retórica de Trump sobre transformar o país em território dos Estados Unidos.
A tensão aumentou após Trump ironizar a estratégia de defesa da Dinamarca, dizendo que o país teria acrescentado "um trenó puxado por cães" à proteção da Groenlândia. A declaração contrastou com o anúncio feito por Copenhague em outubro, quando o governo dinamarquês revelou um pacote de US$ 4,2 bilhões (mais de R$ 23,73 bilhões) para reforçar sua presença militar na ilha.
Segundo o FT, o investimento inclui duas novas unidades militares, a criação de um quartel-general do Comando Ártico, além de navios, aeronaves de patrulha marítima, drones e sistemas de radar para vigilância aérea. Todos esses recursos serão instalados diretamente na Groenlândia, ampliando a capacidade defensiva da região.
Nos últimos dias, Trump voltou a enfatizar a importância estratégica da Groenlândia para a "segurança" dos Estados Unidos. Assessores próximos afirmam que, assim como a Venezuela, a ilha se enquadraria no conceito de "defesa hemisférica", por estar geograficamente situada na América do Norte.
A comparação, porém, foi rapidamente rejeitada pela Comissão Europeia, que considerou inadequado equiparar a situação da Groenlândia à crise venezuelana. Para Bruxelas, as duas realidades não apresentam qualquer paralelo político ou institucional.
"A Groenlândia é aliada dos EUA e também faz parte da aliança da OTAN, e essa é uma diferença enorme", afirmou a Comissão, ressaltando que a ilha integra estruturas multilaterais consolidadas. A entidade acrescentou: "Portanto, apoiamos totalmente a Groenlândia e não vemos de forma alguma uma possível comparação com o que aconteceu [na Venezuela]."
Com o Ártico ganhando cada vez mais relevância estratégica e militar, a disputa narrativa em torno da Groenlândia tende a se intensificar. Enquanto a OTAN reafirma sua presença e busca neutralizar pressões políticas, a região permanece no centro de um debate geopolítico envolvendo segurança, influência e ambições territoriais.
Por Sputinik Brasil