CONFLITO NO LESTE EUROPEU

Chanceler alemão admite que Ucrânia e Europa terão que fazer concessões para chegar à paz

Reunião em Paris reúne coalizão internacional para discutir garantias de segurança e busca de cessar-fogo estável na Ucrânia

Por Sputinik Brasil Publicado em 06/01/2026 às 19:16
Chanceler alemão fala sobre concessões necessárias para a paz entre Ucrânia e Europa durante reunião em Paris. © AP Photo / Ebrahim Noroozi

Uma reunião de alto nível realizada nesta terça-feira (6), em Paris, reuniu países integrantes da chamada "coalizão dos dispostos" para debater garantias de segurança à Ucrânia, incluindo a possibilidade de formação de uma força multinacional.

Além das nações do grupo, participaram do encontro o enviado especial do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do chefe da Casa Branca e integrante da equipe de negociação para assuntos relativos à crise ucraniana.

Em coletiva de imprensa após a reunião, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que a coalizão trabalha para alcançar a paz. "No entanto, nós (Ucrânia e os países da União Europeia que a apoiam) certamente teremos que fazer concessões", declarou.

Apesar da afirmação, Merz não detalhou quais concessões estariam em discussão. Ao abordar uma solução pacífica para o conflito, o chanceler ressaltou que não existe um modelo pronto para tal situação. "Mas, nas atuais circunstâncias geopolíticas, precisaremos fazer esforços significativos, inclusive nos próximos dias, semanas e talvez até meses", avaliou. Entre os principais objetivos está a busca por um "cessar-fogo estável" na Ucrânia.

Steve Witkoff, também após o encontro, destacou que houve avanços significativos em questões-chave, incluindo garantias de segurança para Kiev.

O governo dos EUA já havia anunciado o desenvolvimento de um plano para solucionar o conflito ucraniano. O Kremlin, por sua vez, reiterou que a Rússia permanece aberta a negociações e segue comprometida com as discussões em Anchorage.

Rússia permanece com disposição para negociar

Em dezembro, após uma reunião entre as equipes de Donald Trump e Vladimir Putin, os norte-americanos dividiram os 27 pontos para o fim do conflito em quatro pacotes, propondo discuti-los separadamente.

O assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, observou que os avanços militares russos no campo de batalha influenciaram positivamente o curso e a natureza das negociações, destacando que o diálogo entre Rússia e EUA continuará.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o governo de Kiev precisa tomar uma decisão e iniciar as negociações. Segundo ele, a liberdade de decisão de Kiev está diminuindo devido às operações ofensivas das Forças Armadas russas.