Venezuela e Irã na mira: interesse político, energético ou um ataque dos EUA à multipolaridade?
Sanções, disputas energéticas e estratégias dos EUA reacendem o debate sobre a influência americana e a ordem global.
Sanções dos EUA e crise venezuelana
Ao longo da última década, as sanções impostas pelos Estados Unidos impactaram severamente a indústria petrolífera e a economia da Venezuela. A crise, agravada por estratégias de desestabilização, culminou recentemente no sequestro do presidente Nicolás Maduro. A situação só não se agravou ainda mais graças ao apoio político à vice-presidente Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente o governo.
A doutora em economia política internacional, Ticiana Alvares, afirmou à Sputnik Brasil que, no caso venezuelano, a disputa geopolítica vai além do acesso aos recursos petrolíferos. "É muito mais do que um interesse propriamente no petróleo [...], mas recuperar o controle das Américas para os americanos, resgatando a Doutrina Monroe. Os recursos energéticos são muito mais um meio do que um fim, porque, se a gente for observar, os Estados Unidos são um grande produtor de petróleo. Eles não têm hoje um problema de insegurança energética. O próprio preço do petróleo está mais baixo, e o petróleo da Venezuela exige grandes investimentos para recuperar o nível de produção de dez anos atrás", argumenta.
Irã: controle estratégico e rotas energéticas
Outro alvo das pressões norte-americanas, o Irã intensificou sua atuação estratégica no estreito de Ormuz, incluindo a apreensão de petroleiros em uma região responsável por cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.
O analista geopolítico Hugo Albuquerque destaca: "A questão de Ormuz para o Irã é um controle de um petróleo que é desaguado desde o Golfo Pérsico prioritariamente. Na verdade, há um objetivo da geopolítica norte-americana de redesenhar as rotas de transporte de petróleo, deslocando sua centralidade do Golfo Pérsico para regiões como a Península Arábica e, possivelmente, para corredores que envolvem a Turquia e a Síria."
O cenário revela uma disputa que ultrapassa interesses energéticos, envolvendo a redefinição de esferas de influência e a manutenção da ordem multipolar.