DIPLOMACIA REGIONAL

China e Coreia do Sul selam novos acordos e reaproximam laços em meio a tensão regional

Países firmam US$ 44 milhões em contratos e mais de 30 acordos empresariais, sinalizando avanço nas relações bilaterais.

Publicado em 07/01/2026 às 05:35
Presidentes da China e Coreia do Sul firmam acordos bilaterais e impulsionam cooperação econômica. © AP Photo / Ng Han Guan

China e Coreia do Sul reataram a cooperação econômica após anos de distanciamento, selando US$ 44 milhões em novos contratos e mais de 30 acordos empresariais, em um raro avanço diplomático diante das tensões crescentes entre Pequim e Tóquio.

Em meio a uma conjuntura regional marcada por disputas, especialmente entre China e Japão, Pequim e Seul retomaram com vigor sua parceria econômica. Foram firmados US$ 44 milhões (cerca de R$ 239,58 milhões) em contratos de exportação e dezenas de memorandos de entendimento, impulsionados por uma cúpula de alto nível entre o presidente sul-coreano Lee Jae-myung e o presidente chinês Xi Jinping.

Pela primeira vez em nove anos, Seul promoveu em Pequim um grande evento voltado à promoção de exportações e atração de investimentos, reunindo cerca de 300 participantes, entre líderes empresariais e investidores. Segundo o South China Morning Post (SCMP), gigantes chinesas de tecnologia como Alibaba, JD.com e Tencent estiveram presentes, além de representantes de governos provinciais. O evento contou com rodadas de negócios, apresentações regionais e demonstrações de produtos coreanos.

O resultado imediato foi a assinatura de 24 contratos de exportação, totalizando US$ 44,11 milhões, conforme informou o Ministério do Comércio da Coreia do Sul. De acordo com o SCMP, a iniciativa representa um marco nos esforços para restaurar as relações bilaterais, abaladas desde a instalação do sistema antimíssil THAAD em território sul-coreano, em 2017. A delegação econômica que acompanhou Lee reuniu 400 representantes de 161 empresas, incluindo executivos de conglomerados como Samsung, SK, Hyundai e LG.

Além dos contratos, foram firmados 32 novos memorandos de entendimento (MOUs) entre empresas dos dois países. Entre os destaques, está o acordo entre Alibaba e o Grupo Shinsegae, que visa ampliar a presença de produtos premium sul-coreanos nas plataformas chinesas, com a meta de superar 1 trilhão de won (mais de R$ 3,84 bilhões) em transações anuais nos próximos cinco anos. Outros MOUs abrangem setores como mobilidade futura, robótica, desenvolvimento de conteúdo e expansão das exportações de alimentos e cosméticos.

O governo sul-coreano anunciou que vai ampliar o apoio às empresas interessadas no mercado chinês, com ações de marketing e integração às redes de distribuição. Apesar do avanço econômico, temas sensíveis, como o boicote informal da China à cultura pop coreana, não foram abordados durante os encontros.

A aproximação sino-coreana ocorre em contraste com o esfriamento das relações entre China e Japão. As tensões se intensificaram após declarações da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi sobre possível intervenção no estreito de Taiwan. Em resposta, Pequim restringiu exportações de produtos de uso dual para entidades ligadas às Forças de Defesa japonesas. Paralelamente, importantes entidades empresariais japonesas adiaram sua tradicional visita anual à China, interrompendo uma prática mantida desde 1975.

Por Sputnik Brasil