RECUPERAÇÃO DE ATIVOS

Ativos brasileiros congelados no exterior somam R$ 2,8 bilhões em 18 anos

Montante está ligado a crimes financeiros e enfrenta obstáculos para repatriação, aponta relatório do Ministério da Justiça

Publicado em 07/01/2026 às 06:54
Brasil soma R$ 2,8 bilhões em ativos congelados no exterior relacionados a crimes financeiros. © AFP 2023 / VANDERLEI ALMEIDA

O Brasil acumulou R$ 2,8 bilhões em ativos congelados no exterior entre 2007 e 2025, segundo reportagem do portal Metrópoles. Apesar do volume expressivo, a repatriação desses valores é lenta e instável.

De acordo com a publicação, esses recursos estão associados a crimes financeiros e ilícitos, o que dificulta o retorno ao país. Apenas em 2025, o Brasil congelou cerca de R$ 135 milhões em ativos no exterior.

O Relatório de Gestão 2025, elaborado pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, indica que a recuperação desses valores depende, principalmente, de decisões das autoridades estrangeiras e do trânsito em julgado de processos criminais no Brasil. Isso inclui casos de perdimento de bens, quando a Justiça determina que patrimônios passam à guarda da União.

Segundo o relatório, em 2025 foram realizados diversos bloqueios em jurisdições estrangeiras, muitos deles de forma ágil, resultando no congelamento de mais de R$ 135 milhões.

"Apesar disso, não houve repatriação de recursos, uma vez que, mesmo diante dos esforços do DRCI, a transferência definitiva depende do trânsito em julgado dos processos criminais no Brasil, etapa cuja conclusão não está sob a esfera de controle do departamento", destaca o texto.

Dados históricos do DRCI mostram que o retorno desses ativos nos últimos cinco anos foi irregular: não houve repatriação em 2021, 2023 e 2025, mas o Brasil recuperou US$ 24,4 milhões em 2022 e US$ 46,3 milhões em 2024.

"Historicamente, o dinheiro oriundo de crimes financeiros no Brasil – como lavagem de dinheiro e corrupção – busca refúgio em grandes centros bancários mundiais", aponta a reportagem.

Os maiores volumes de ativos congelados de brasileiros estão na Suíça, Reino Unido e Estados Unidos. Paraísos fiscais e centros financeiros como Mônaco, Bahamas, Ilhas Guernsey e Luxemburgo também mantêm recursos do país sob custódia judicial, segundo o Metrópoles.

O relatório ressalta ainda que privar organizações criminosas dos ganhos ilícitos é essencial para enfraquecer o crime organizado. A cooperação jurídica internacional viabiliza o bloqueio e a repatriação de valores enviados ilegalmente para o exterior.

Por Sputnik Brasil