INVESTIGAÇÃO CONCLUÍDA

O que a polícia decidiu sobre o caso do jovem que se perdeu em trilha no Pico Paraná

Delegado recomenda arquivamento do inquérito após concluir que não houve crime ou omissão de socorro por parte da amiga que acompanhava Roberto Tomaz.

Publicado em 08/01/2026 às 19:16
Roberto Farias Tomaz Reprodução / Redes Sociais

O inquérito que apurou o desaparecimento de Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, durante uma trilha no Pico Paraná, foi finalizado pela Polícia Civil nesta quinta-feira, 8. O delegado Glaison Lima, responsável pela investigação em Campina Grande do Sul, região metropolitana de Curitiba, recomendou o arquivamento do caso ao entender que não houve crime cometido por Thayane Smith Moraes, também de 19 anos, que se separou do amigo durante o percurso.

"Após diversas investigações, diligências, análises de dados e informações extraídas dos celulares da vítima e de envolvidos, concluímos que não houve crime. Não identificamos qualquer infração penal, inclusive omissão de socorro, conforme ficou apurado", declarou o delegado.

De acordo com Lima, a investigação revelou que Roberto passou mal durante a subida da trilha, mas já estava bem na descida, momento em que desapareceu. "Na descida, ele não apresentou sintomas que exigissem socorro. Roberto teria ficado para trás e seguido por uma trilha errada, o que resultou em seu desaparecimento", explicou.

Roberto e a amiga subiram o Pico Paraná, ponto mais alto do Sul do Brasil, no dia 31 de dezembro, com o objetivo de assistir ao nascer do sol no primeiro dia do ano. Pela manhã, em 1º de janeiro, iniciaram a descida da montanha.

Em determinado trecho, Roberto acabou se separando da amiga e perdeu contato com outros trilheiros, seguindo uma sinalização equivocada que o levou para fora da trilha principal.

Após quatro dias desaparecido e mais de 20 km percorridos em mata fechada, Roberto encontrou uma fazenda e conseguiu pedir ajuda. Durante o período em que esteve perdido, ele seguiu o curso de um rio e chegou a saltar de uma cachoeira de aproximadamente 20 metros para sobreviver. O jovem recebeu alta hospitalar na terça-feira, 6, e relatou que conhecia Thayane há cerca de dois meses.

"Ela me passou confiança, mas lá em cima ela quebrou legal essa confiança", disse Roberto. Apesar disso, ele evitou críticas mais contundentes à amiga, que foi alvo de ataques nas redes sociais por ter deixado o colega para trás. "Eu me vejo magoado, mas não a culpo. Não tenho julgamento, não fico bravo com ela."

Thayane afirmou que a separação ocorreu devido à diferença de ritmo entre eles. "Não abandonei! Assumi meu B.O., assumi todo o problema. Reconheço que errei ao deixá-lo para trás, quebrei a regra dos trilheiros de ir e voltar juntos. Mas acompanhei o ritmo dos corredores e ele veio no ritmo dele", disse em entrevista ao Estadão.