GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Contenção da China em foco: como acordo militar entre Filipinas e Canadá impacta o Indo-Pacífico?

Parceria militar entre filipinos e canadenses reforça estratégia ocidental e pode acirrar tensões na região asiática

Publicado em 08/01/2026 às 22:02
Acordo militar entre Filipinas e Canadá destaca estratégia de contenção à China no Indo-Pacífico. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

Apesar da distância geográfica, econômica e cultural, Filipinas e Canadá firmaram recentemente um acordo militar que prevê treinamento conjunto, intercâmbio de tropas e cooperação operacional. Segundo o analista Vinicius Modolo Teixeira, a principal motivação da medida é a ascensão da China na região, utilizando as Filipinas como "instrumento de geopolítica ocidental" no Indo-Pacífico.

Para compreender o contexto, explica o especialista, basta observar a geografia chinesa: países como Japão, Coreia do Sul e Filipinas formam uma barreira estratégica que limita as principais rotas marítimas de Pequim. Nesse cenário, o novo acordo com o Canadá — aliado estratégico dos Estados Unidos e, conforme Teixeira, "praticamente subordinado aos seus interesses globais" — reforça a estratégia ocidental de contenção da China, ainda que seu impacto militar seja limitado.

"Isso não contribui para o desenvolvimento regional, não promove pacificação e pode, na verdade, agravar as relações com a China. As Filipinas, pela sua localização, certamente se tornariam, em caso de conflito, o ponto de partida para operações ocidentais, servindo como base e, consequentemente, como bode expiatório", destaca Teixeira.

As Filipinas são um dos 11 integrantes da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), possuindo o quinto maior PIB do bloco e ocupando o sexto lugar em poderio militar. Diante do novo pacto militar com o Ocidente, o professor João Gabriel Burmann alerta que a iniciativa pode provocar "algum tipo de estremecimento" nas relações do país com os demais membros da ASEAN.

Por Sputnik Brasil