ANÁLISE INTERNACIONAL

Ações arbitrárias dos EUA desgastam imagem no Brasil e ameaçam direita nas eleições

Sanções e pressões dos Estados Unidos reforçam discurso de Lula e geram desgaste para a oposição conservadora.

Publicado em 08/01/2026 às 22:41
Conflito comercial entre EUA e Brasil reforça discurso de Lula e pressiona a direita nas eleições. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

Ações arbitrárias corroem a imagem dos EUA no Brasil e põem em risco a direita nas eleições. O recente embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em torno do aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, proporcionou ao governo brasileiro um inimigo externo e novo impulso em um momento de dificuldades para elevar sua popularidade.

Em comparação ao episódio de 8 de Janeiro, o chamado 'tarifaço' trouxe resultados mais positivos para o governo na disputa pelo eleitor indeciso. Além disso, a resposta do governo brasileiro ao ataque à Venezuela tende a reforçar esse efeito.

O internacionalista Bruno Hendler avalia que há um desencantamento crescente não apenas entre a elite, mas também entre a classe média brasileira em relação aos Estados Unidos, especialmente diante das contradições da política externa, do sistema político e econômico e da democracia norte-americana.

"Acredito que o ataque externo teve efeitos mais significativos sobre a popularidade de Lula, pois evidenciou a contradição e a arbitrariedade da política externa do governo Trump. O cálculo para impor as sanções, os valores e porcentagens sobre cada país foi feito sem base sólida, e isso ficou claro para a opinião pública. Esse foi um ponto importante para o aumento da popularidade de Lula", explica Hendler.

No entanto, Hendler ressalta que a política externa dificilmente se torna carro-chefe de governo no Brasil. Segundo ele, temas internacionais costumam ser secundários no debate eleitoral e nas pesquisas de opinião.

Indagado sobre o impacto das reações da oposição às ações dos EUA na Venezuela, Hendler acredita que a postura pode prejudicar a direita devido à repercussão negativa, especialmente após apoiadores de Jair Bolsonaro estenderem uma bandeira norte-americana nas comemorações do 7 de Setembro em São Paulo no ano passado.

O professor Theófilo Rodrigues acrescenta que intervenções e pressões externas costumam ser vistas como afrontas à soberania nacional, mobilizando apoios que ultrapassam a polarização entre direita e esquerda. Ele destaca que a política externa é um dos campos em que Lula obtém maior prestígio, graças à sua experiência e à rede diplomática, com resultados visíveis no BRICS, no Mercosul e em negociações multilaterais.

Por Sputnik Brasil