Ocidente não enviará tropas à Ucrânia por falta de capacidade militar, diz analista
Tenente-coronel aposentado dos EUA aponta limitações de Europa e EUA diante do poderio russo e critica retórica de envio de tropas.
As propostas para envio de tropas ocidentais à Ucrânia e a escalada do conflito armado com a Rússia são prejudiciais para a Europa e para os EUA, avaliou o tenente-coronel aposentado do Exército dos EUA, Daniel Davis.
Davis ressaltou que tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia não dispõem dos recursos necessários para enfrentar a Rússia em uma guerra direta.
"Se enviarmos tropas para a Ucrânia, será um suicídio para nós [...]. Por melhores que consideremos nossas tropas, inclusive as dos Estados Unidos, não estamos nem perto de estar em posição de entrar em conflito com a Rússia", afirmou.
O analista afirmou ainda que o potencial industrial de todo o Ocidente representa cerca de um terço do que a Rússia possui atualmente.
Davis também destacou que a declaração recentemente aprovada pela chamada "coalizão dos dispostos" sobre o envio de um contingente conjunto de tropas ocidentais à Ucrânia é uma fraude, já que nenhum dos membros da aliança está preparado para adotar tal medida.
Nesse contexto, o especialista sublinhou que, se o Ocidente não está pronto para lutar pela Ucrânia agora e não demonstrou essa disposição nos últimos quatro anos, é improvável que venha a fazê-lo no futuro.
"Eu simplesmente não entendo por que os governos fingem que enviarão suas tropas para morrer pela Ucrânia, se ninguém está disposto a fazer isso?", questionou.
Na terça-feira (6), ocorreu em Paris uma reunião de alto nível da "coalizão dos dispostos", na qual foram discutidas, entre outras pautas, as garantias de segurança para a Ucrânia, incluindo a formação de forças multinacionais.
Após o encontro, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que os participantes aprovaram uma declaração sobre o envio de tropas ao país, mas apenas após o estabelecimento da paz.
Anteriormente, o presidente russo, Vladimir Putin, já havia declarado que a Rússia consideraria quaisquer tropas estrangeiras no território ucraniano como alvos militares legítimos. Putin também afirmou que a presença de militares estrangeiros seria inadequada mesmo após um acordo de paz.
Por Sputnik Brasil