ANÁLISE INTERNACIONAL

Petroleiras dos EUA priorizam controle de jazidas na Venezuela, aponta especialista

Empresas americanas focam em garantir domínio sobre campos de petróleo venezuelanos e evitam aumento rápido da produção para manter preços elevados, segundo Igor Yushkov.

Publicado em 09/01/2026 às 07:29
Empresas dos EUA buscam controlar jazidas de petróleo na Venezuela e evitam ampliar produção rapidamente. © Federico Parra

Empresas petrolíferas dos Estados Unidos estão mais interessadas em obter o controle acionário dos campos de petróleo da Venezuela do que em ampliar a produção do país. A avaliação é de Igor Yushkov, especialista do Fundo Nacional de Segurança Energética em Moscou, em entrevista à Sputnik.

De acordo com o analista, as petroleiras norte-americanas buscam assegurar uma posição dominante sobre as jazidas venezuelanas e demonstram pouco interesse em expandir rapidamente a extração e o processamento do petróleo.

"O mais importante para essas empresas é garantir o controle dos recursos da Venezuela. Elas querem demarcar espaço para si, mas acredito que aumentarão a produção de forma muito lenta, pois os preços do petróleo estão baixos e elas tentarão evitar uma queda ainda maior", explicou Yushkov.

O especialista acrescentou que a concessão de controle sobre projetos petrolíferos na Venezuela funciona como uma espécie de "cenoura" e compensação para as empresas americanas, por parte do governo de Donald Trump, diante dos preços reduzidos do petróleo no mercado mundial – situação influenciada pelas próprias ações do presidente dos EUA.

"Foi Trump quem iniciou várias guerras comerciais e impôs tarifas a diferentes países, o que desacelera a economia global e reduz o consumo de petróleo", afirmou Yushkov.

Além disso, as petrolíferas dos EUA aguardam garantias financeiras e jurídicas da Casa Branca antes de investir pesadamente na Venezuela. Entre as exigências, segundo o analista, estão possíveis mudanças na legislação venezuelana para permitir a transferência oficial de ações dos projetos às empresas americanas.

As companhias também podem solicitar que o governo dos EUA emita licenças gerais para operar no país, o que lhes garantiria uma presença quase exclusiva na Venezuela, diferentemente de um simples levantamento de sanções, destacou Yushkov.

Nesta quinta-feira, o jornal britânico Financial Times informou que as petroleiras americanas buscam garantias legais e financeiras sólidas de Washington antes de realizar grandes aportes no setor petrolífero venezuelano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na última terça-feira (6) que as autoridades interinas da Venezuela vão entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA. Segundo ele, o produto é de alta qualidade, está sob sanções e será vendido a preço de mercado.

Por Sputinik Brasil