Líder supremo do Irã promete reprimir protestos enquanto manifestações se intensificam
Aiatolá Khamenei critica influência dos EUA e bloqueia comunicações em meio à escalada dos protestos iniciados por crise econômica
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, sinalizou nesta sexta-feira, 9, que irá reprimir a escalada dos protestos que tomam as ruas do país desde o final do ano passado. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, Khamenei acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ter "mãos manchadas com o sangue dos iranianos". Segundo o líder iraniano, os manifestantes estariam "destruindo suas próprias ruas para agradar o presidente de outro país". Até o momento, não houve resposta oficial de Washington, mas Trump reiterou sua promessa de retaliar o Irã caso manifestantes sejam mortos.
Apesar do bloqueio imposto pela teocracia iraniana ao acesso à internet e às chamadas internacionais, ativistas conseguiram compartilhar vídeos curtos online, nos quais manifestantes aparecem entoando palavras de ordem contra o governo em volta de fogueiras, enquanto detritos cobriam as ruas da capital, Teerã, na manhã desta sexta-feira. A mídia estatal iraniana atribuiu a violência a "agentes terroristas" dos EUA e de Israel, alegando que estes teriam provocado incêndios e tumultos. O noticiário oficial também mencionou a existência de "vítimas", sem fornecer detalhes.
Os protestos vêm se intensificando desde o início, em 28 de dezembro, mas o alcance total das manifestações permanece incerto devido ao bloqueio das comunicações. O movimento representa mais uma escalada dos protestos motivados principalmente pela crise econômica no país.
As manifestações atuais também colocam à prova a influência do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, cujo pai, gravemente doente, deixou o Irã pouco antes da Revolução Islâmica de 1979. Pahlavi convocou protestos na noite de quinta-feira e voltou a pedir novas manifestações para a noite desta sexta-feira.
Entre os manifestantes, houve gritos de apoio ao xá, atitude que, no passado, poderia resultar em pena de morte, mas que agora evidencia a insatisfação popular diante da crise econômica.
Até o momento, pelo menos 42 pessoas morreram e mais de 2.270 foram detidas durante os protestos, segundo organizações não governamentais internacionais.
"O que mudou o rumo dos protestos foram os apelos do ex-príncipe herdeiro Reza Pahlavi para que os iranianos fossem às ruas às 20h de quinta e sexta-feira", afirmou Holly Dagres, pesquisadora sênior do Instituto Washington para Política do Oriente Próximo. "Pelas postagens nas redes sociais, ficou claro que os iranianos atenderam e estavam levando a sério o apelo para protestar a fim de derrubar a República Islâmica."
"Foi exatamente por isso que a internet foi desligada: para impedir que o mundo visse os protestos", acrescentou a pesquisadora. "Infelizmente, isso também provavelmente serviu de cobertura para as forças de segurança matarem manifestantes."