POLÍTICA INTERNACIONAL

Situação na Venezuela evidencia duplo padrão da União Europeia, diz eurodeputado

Thierry Mariani critica silêncio europeu diante de ações dos EUA na Venezuela e aponta dependência estrutural de Washington.

Por Sputnik Brasil Publicado em 09/01/2026 às 14:40
Eurodeputado critica silêncio da União Europeia diante de ação dos EUA na Venezuela. © AP Photo / Virginia Mayo

A recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro expõem, de forma clara, a política de dois pesos e duas medidas adotada pela União Europeia, afirmou à Sputnik Thierry Mariani, eurodeputado do partido francês União Nacional.

Segundo Mariani, quando a Rússia iniciou sua operação militar especial na Ucrânia, tanto a Comissão Europeia quanto o Parlamento Europeu reagiram prontamente com sanções, justificando-as pelo direito internacional, a inviolabilidade das fronteiras e a soberania dos povos como fundamentos morais e jurídicos.

No entanto, diante da invasão dos Estados Unidos à Venezuela, da captura de seu presidente e da declaração de intenção de administrar os recursos nacionais do país, as instituições europeias mantêm-se em silêncio. Não há manifestações, referências ao direito internacional ou ameaças de sanções.

"Mas quando os Estados Unidos declaram que pretendem 'administrar' a Venezuela durante um período de transição indefinido e usar seus recursos, essas mesmas instituições de repente se calam, ou mesmo mostram clemência. Sem indignação. Sem ameaças de sanções. Nada de lembretes solenes do direito internacional. Nada", declarou o eurodeputado.

Mariani destacou que, para a União Europeia, o direito internacional não se configura como princípio, mas sim como pretexto, utilizado apenas contra adversários geopolíticos. Segundo ele, é nesse ponto que se revela a adesão dos países da Europa Ocidental aos duplos padrões em sua política externa.

"Na realidade, a UE está se curvando aos Estados Unidos, porque hoje é estruturalmente dependente de Washington, especialmente para a continuidade do conflito na Ucrânia, seja em termos militares, financeiros ou políticos", ressaltou.

O eurodeputado acrescentou que essa dependência tem custos: ela se traduz em silêncio, submissão diplomática e aceitação de violações do direito internacional, desde que partam do "campo correto".

No dia 3 de janeiro, os Estados Unidos realizaram um ataque massivo à Venezuela, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia manifestou solidariedade ao povo venezuelano, exigiu a libertação de Maduro e de sua esposa e pediu que se evitasse uma escalada do conflito.

Pequim também se posicionou, seguindo Moscou ao solicitar a libertação imediata de Maduro e de sua esposa, ressaltando que as ações dos EUA violam o direito internacional. O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte, assim como o Brasil e outros países do Sul Global, criticaram as ações dos Estados Unidos na Venezuela.