Argentina quita empréstimo de US$ 20 bilhões concedido pelos EUA
Liquidação antecipada do swap cambial fortalece aliança entre Milei e governo Trump e gera lucro para americanos
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou nesta sexta-feira (9) que a Argentina quitou integralmente os fundos obtidos por meio de uma linha de crédito de swap cambial de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 107 bilhões) junto ao governo de Donald Trump.
Em publicação na rede social X, Bessent destacou que o governo do presidente argentino Javier Milei "quitou de forma rápida e completa sua linha de crédito limitada" após o acordo firmado em outubro passado.
"Estabilizar um aliado forte dos Estados Unidos e gerar dezenas de milhões em lucros para os americanos é uma grande conquista", afirmou o secretário.
Segundo a Associated Press, o Banco Central da Argentina confirmou o pagamento, especificando que a quitação ocorreu em dezembro.
O polêmico resgate financeiro dos EUA forneceu liquidez em dólares ao governo Milei, importante aliado ideológico de Trump na América Latina, e evitou um colapso do mercado argentino antes das cruciais eleições legislativas de outubro passado.
Nas eleições, o Partido Libertário de Milei conquistou vitória expressiva, consolidando apoio ao rigoroso programa de austeridade e restaurando parte da confiança dos investidores estrangeiros no país.
A respeito do pagamento, Bessent afirmou que, com o depósito argentino, o Fundo de Estabilização Cambial dos EUA — utilizado para o resgate — não detém mais pesos argentinos. O secretário acrescentou que é de especial interesse para os EUA "definir o rumo da América Latina, com uma Argentina forte e estável que contribua para consolidar um Hemisfério Ocidental próspero".
O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, agradeceu ao governo Trump pela "confiança em nossa política econômica" e classificou a notícia como "excelente".
"É uma excelente realidade para o nosso país ter conseguido construir essa aliança geopolítica e saber que temos o apoio explícito do país mais importante do mundo", declarou nas redes sociais.
Apesar do pagamento, as reservas cambiais da Argentina seguem em patamar baixo, e o país enfrentará novamente pressão neste ano devido à dívida acumulada com empréstimos anteriores do Fundo Monetário Internacional e de outras organizações.