Sim para a parceria, não para a dependência: por que a África se aproxima do BRICS?
Fortalecimento das relações Sul-Sul e busca por alternativas à dependência marcam aproximação africana do bloco.
Sim para a parceria, não para a dependência: a aproximação da África com o BRICS reflete uma busca estratégica por alternativas à histórica exploração e dependência de mecanismos econômicos globais, como a OCDE, o FMI e o Banco Mundial. O continente, marcado por séculos de escravidão e partilha colonial, ainda enfrenta desafios impostos por estruturas financeiras internacionais.
Recentemente, a entrada do Egito e da Etiópia no BRICS, ao lado da já consolidada participação da África do Sul, sinaliza o interesse do bloco em dialogar e fortalecer a multilateralidade na região. Para Ana Saggioro Garcia, professora de Relações Internacionais da UFRRJ, a presença africana no grupo pode impulsionar a cooperação internacional e promover investimentos em infraestrutura, agricultura e outros setores estratégicos.
"O BRICS pode se tornar uma alternativa real para o continente africano, ampliando as possibilidades de negociação e reduzindo a dependência de potências tradicionais", afirma Garcia. Segundo ela, a diversificação de parceiros fortalece o poder de barganha dos países africanos diante de atores como Europa, FMI, Banco Mundial e Estados Unidos.
Garcia destaca ainda que o fortalecimento das relações Sul-Sul pode contribuir para uma reconfiguração da ordem global, tornando-a mais justa, democrática e equilibrada. O movimento representa um passo importante para a autonomia e o desenvolvimento mútuo entre as nações do hemisfério Sul.
Por Sputnik Brasil