TENSÃO INTERNACIONAL

'Jogo duplo': EUA tentam fazer de Taiwan a Ucrânia da China, avaliam analistas

Especialistas apontam que pressão dos EUA sobre Taiwan visa conter a China, em estratégia semelhante à adotada na Ucrânia.

Publicado em 09/01/2026 às 22:32
Tensão cresce entre EUA, China e Taiwan em cenário comparado à crise Rússia-Ucrânia. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

Analistas avaliam que os Estados Unidos atuam em um "jogo duplo" envolvendo China e Taiwan, buscando transformar a ilha asiática em um novo foco de tensão internacional, semelhante ao que ocorre entre Rússia e Ucrânia.

De acordo com o professor Eduardo Munhoz Svartman, ouvido pela Sputnik Brasil, a pressão para que Taiwan fortaleça suas capacidades de defesa antecede o governo Trump e é praticada tanto por democratas quanto republicanos nos EUA. "Essa pressão ocorre porque os EUA percebem a China como um rival com grandes capacidades, que vem pressionando setores norte-americanos como economia, tecnologia e comunicações, além de estar se armando de forma significativa, embora ainda exista assimetria militar entre os dois países", afirma Svartman.

O especialista destaca que, após a Revolução Chinesa, quando a antiga elite se refugiou em Taiwan, os EUA reconheceram a ilha como a verdadeira China por um longo período. "No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, houve uma mudança significativa: os EUA deixaram de reconhecer Taiwan e passaram a estabelecer relações diplomáticas com a República Popular da China. Desde então, mantêm uma postura ambígua. Oficialmente, não reconhecem Taiwan como país, mas também não apoiam explicitamente o pleito chinês de reunificação", explica.

O pesquisador João Rodrigues Chiarelli acrescenta que não há indícios de que a administração de Xi Jinping pretenda alterar o status quo de Taiwan, assim como o presidente da ilha, Lai Ching-te, não fez sinalizações nesse sentido. "Tudo indica que é o regime de Trump que busca criar uma celeuma nas relações entre Pequim e Taipei, incitando o continente a tomar uma ação militar e criar um cenário de conflito prolongado, como ocorreu com a Rússia em relação à Ucrânia, diante da sinalização ocidental de incorporar Kiev à OTAN", avalia Chiarelli.

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Por Sputnik Brasil