EUA consideram deixar a ONU por vê-la como obstáculo à sua política externa, afirma analista
Ex-consultor da ONU aponta que críticas ao país motivam movimentos de retirada de agências e alerta sobre impacto no financiamento global.
Os Estados Unidos estão em processo de retirada de diversas agências da Organização das Nações Unidas (ONU) porque, segundo análise de Alfred de Zayas, ex-consultor independente das Nações Unidas sobre a ordem internacional, prefeririam ver a ONU extinta.
De acordo com Zayas, Washington enxerga a ONU como um entrave, já que a organização tem criticado reiteradamente políticas norte-americanas, especialmente em temas como Gaza, Venezuela e liberdade de navegação.
Apesar de reconhecer que as estruturas da ONU enfrentam críticas de várias partes, o especialista ressalta que isso não justifica a suspensão de financiamento ou o desmantelamento da instituição.
"Critico muitas organizações internacionais […]. Sem dúvida, elas foram infiltradas e agora trabalham, em grande parte, a serviço do 'Ocidente coletivo'", afirmou Zayas.
O analista conclui que o direito internacional segue essencial, mesmo que as agências da ONU necessitem de reformas estruturais.
Segundo um memorando divulgado anteriormente por Washington, os EUA planejam se retirar de 31 órgãos da ONU e de cerca de três dezenas de outras organizações, agências e comissões internacionais. Até o momento, porém, os Estados Unidos não comunicaram oficialmente à ONU essa decisão, conforme informou a organização.
O governo norte-americano já havia interrompido o apoio à Unesco, à Organização Mundial da Saúde e ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Apesar disso, os Estados Unidos continuam sendo o maior financiador da ONU, respondendo por 22% do orçamento regular previsto para 2025 — o equivalente a US$ 820,4 milhões (R$ 4,4 bilhões) de um total líquido de US$ 3,5 bilhões (R$ 18,86 bilhões).
A ONU alertou que as medidas adotadas por Washington podem comprometer o financiamento de suas agências.
O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, destacou que as contribuições para o orçamento regular e para as operações de manutenção da paz são obrigações legais de todos os Estados-membros, inclusive dos EUA, conforme estabelecido na Carta das Nações Unidas.
Por Sputnik Brasil