JUSTIÇA

MP denuncia seis PMs por tortura em ação policial que terminou em morte no Sertão

Laudo do IML contradiz versão dos militares e aponta asfixia causada por lesões internas durante abordagem em Santana do Ipanema

Publicado em 10/01/2026 às 08:16
Reprodução

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) denunciou seis policiais militares pelo crime de tortura em um caso que resultou na morte de Rogério Almir dos Santos Silva, ocorrida durante uma abordagem policial no dia 9 de julho de 2025, no município de Santana do Ipanema, no Sertão alagoano. A denúncia foi apresentada à Justiça com base em provas periciais e testemunhais que, segundo o órgão, demonstram a prática de agressões físicas no interior de uma residência.

De acordo com o MPAL, a ação foi realizada por uma guarnição da COPES/CAATINGA. Além de Rogério Almir, outro homem que se encontrava no imóvel também teria sido submetido a tortura durante a operação. Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público solicitou o afastamento imediato dos policiais das atividades operacionais, com o objetivo de preservar a ordem pública enquanto o processo tramita na Justiça.

Foram denunciados os policiais militares Ulisses de Souza, Lucas Cruz, José Jeferson Pereira, Pablo Victor, Renan Vitor e John Felipe Rocha. Conforme a denúncia, todos teriam participado diretamente das agressões cometidas dentro da residência.

Em depoimento, os militares alegaram que Rogério Almir passou mal, caiu de uma calçada e foi socorrido para uma unidade de saúde, onde morreu. No entanto, essa versão foi contestada pelo laudo do Instituto Médico Legal (IML), que apontou como causa da morte asfixia por aspiração de sangue, decorrente de lesões internas no pescoço e no tórax — traumas compatíveis com prática de tortura.

A perícia também identificou manchas de sangue humano no piso da cozinha do imóvel, que apresentava sinais de arrombamento e desorganização. Segundo o MPAL, a abordagem teria como objetivo obter informações sobre tráfico de drogas. No local, foram apreendidas 200 pedras de crack e uma cédula de R$ 20. Há ainda relatos de outras duas pessoas que afirmaram ter sofrido agressões durante a ação.

Dois policiais responsáveis pela condução das viaturas não foram denunciados, por não terem ingressado no imóvel e não haver indícios de participação nos crimes. Um homem identificado como Edson Silva também não foi incluído como vítima, por falta de provas, conforme esclareceu o Ministério Público.