RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Netanyahu afirma que Israel pode dispensar ajuda militar dos EUA em até 10 anos

Primeiro-ministro israelense defende autossuficiência militar e econômica em entrevista à The Economist

Publicado em 10/01/2026 às 08:44
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O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, declarou que pretende reduzir e, eventualmente, dispensar a ajuda militar fornecida pelos Estados Unidos ao país dentro de um prazo de dez anos. A declaração foi feita em entrevista à revista The Economist, publicada nesta sexta-feira (9).

Atualmente, Washington mantém uma parceria de décadas com Israel na área de defesa e aprovou recentemente a venda de dezenas de milhões de dólares em equipamentos militares para apoiar o país na guerra contra o grupo Hamas, na Faixa de Gaza.

"Durante minha visita ao presidente Donald Trump, disse a ele que apreciamos profundamente a ajuda militar que os Estados Unidos nos ofereceram ao longo dos anos", afirmou Netanyahu à publicação.

"Mas nós também alcançamos nossa maturidade, desenvolvemos capacidades extraordinárias e nossa economia alcançará em breve, em questão de uma década, o trilhão de dólares", acrescentou. "Assim, desejo reduzir progressivamente a ajuda militar nos próximos anos."

O acordo atual entre os dois países prevê que Israel receba cerca de 3,8 bilhões de dólares (mais de R$ 20 bilhões, na cotação atual) anualmente para a compra de armamentos, valor estabelecido em 2016, vigente desde 2019 e com validade até 2028.

De acordo com o Council on Foreign Relations, desde sua fundação em 1948, Israel já recebeu mais de 300 bilhões de dólares (R$ 1,6 trilhão, em valores corrigidos) em ajuda militar e econômica dos Estados Unidos.

Em maio, quando as relações entre Netanyahu e o então presidente Trump estavam tensas, o premiê sugeriu que Israel precisaria "se desacostumar" com a ajuda militar americana, sem detalhar a declaração.

Já em setembro, durante discurso polêmico, Netanyahu afirmou que Israel estava ficando mais isolado e deveria adotar uma postura de "super-Esparta". Após críticas, ele esclareceu que se referia à necessidade de o país fortalecer sua indústria de defesa e buscar maior autossuficiência para evitar possíveis problemas de abastecimento.