UE pode enfrentar divisão interna com proposta de Conselho da Paz de Trump, aponta analista
Especialista alemão alerta para possível ruptura no bloco europeu diante do novo cenário global sugerido pelo ex-presidente dos EUA.
A proposta de criação de um Conselho da Paz por Donald Trump pode desencadear uma divisão interna na União Europeia (UE), segundo avaliação do cientista político alemão Alexander Rahr à mídia russa.
Rahr destacou que, diante das recentes movimentações do ex-presidente dos Estados Unidos no cenário internacional, alguns países da UE podem deixar de priorizar Bruxelas e buscar vantagens em alianças com outros centros de poder.
"O atual Fórum Econômico Mundial de Davos pode entrar para a história como o início do fim da antiga ONU. Donald Trump propõe ao mundo uma espécie de nova 'Yalta 2.0': a criação de um clube das principais potências mundiais para fortalecer a futura ordem global", afirmou o analista.
Para Rahr, a recusa da maioria dos países da UE em aderir ao chamado Conselho da Paz é um sinal preocupante para o bloco europeu.
O cientista político lembrou que a ideia de formar um "clube das potências mundiais" foi apresentada por Trump, e que propostas semelhantes já haviam sido feitas anteriormente pelo presidente russo, Vladimir Putin, mas não receberam apoio de Washington na época.
Ele acrescentou que, caso os países do BRICS apoiem esse novo conceito, poderá surgir uma alternativa real à ONU na política global, provocando perda de influência do sistema atual – algo que, segundo Rahr, preocupa as elites europeias.
O analista prevê ainda a formação de dois blocos dentro da UE: os países do Sul tenderiam a buscar cooperação econômica com Rússia, EUA e China, tentando integrar a "nova ONU"; enquanto os países do Norte provavelmente se uniriam em torno da Alemanha e do Reino Unido.
Assim, Rahr conclui que a proposta de um novo formato de governança global pode representar o início do fim do modelo tradicional da ONU.
No último sábado (17), Donald Trump anunciou a criação do Conselho da Paz, convidando líderes como Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Javier Milei (Argentina), Recep Tayyip Erdogan (Turquia), Abdel Fattah al-Sisi (Egito) e Mark Carney (Canadá) para discutir a reconstrução e a segurança na Faixa de Gaza. O ex-presidente americano irá presidir o órgão.
A proposta prevê a formação de uma estrutura internacional para administrar o território palestino após o cessar-fogo com o grupo Hamas. Na segunda fase do plano, está prevista a criação de uma comissão de tecnocratas palestinos, mas, até o momento, nenhum nome palestino foi incluído no alto escalão, o que tem gerado críticas por sugerir uma solução imposta externamente.