ANÁLISE INTERNACIONAL

Venezuela vive estabilidade econômica e amplia influência global, avalia especialista

Analista destaca fortalecimento das relações com países vizinhos e resposta internacional à crise política recente.

Publicado em 21/01/2026 às 12:11
Venezuela busca estabilidade econômica e reforça relações internacionais após crise política. © AP Photo / Cristian Hernandez

Após os eventos de 3 de janeiro, a Venezuela entra em uma fase de estabilidade econômica e fortalecimento de suas posições internacionais, segundo o analista Ernesto Wong, diretor do Centro de Economia, Relações Internacionais e Estudos Geopolíticos da Universidade Bolivariana da Venezuela.

O especialista ressalta que o crescimento econômico do país tem sido impulsionado pelo fortalecimento das relações transfronteiriças com Colômbia e Brasil. De acordo com Wong, o apoio e a solidariedade demonstrados pelos governos desses países ampliam as oportunidades da Venezuela no cenário internacional.

"Vejo estabilidade política interna e uma tentativa de construir uma situação econômica mais estável por meio de certos acordos internacionais que envolvem diferentes atores. Esse conjunto de entendimentos nos permite prever um período de estabilidade econômica", declarou Wong.

O analista avalia que os processos econômicos venezuelanos estão profundamente ligados a eventos políticos futuros e aos interesses dos Estados Unidos, que buscam não apenas acesso ao petróleo venezuelano, mas também o controle sobre recursos de terras raras e o fortalecimento de sua presença na América Latina, considerando a localização geopolítica estratégica da Venezuela.

Wong destaca ainda que, no cenário internacional, Caracas mantém laços ativos com países do Sul Global. A Venezuela participa como observadora na Organização de Cooperação de Xangai e desenvolve relações com a União Africana e com os países do BRICS.

Sobre o bloco BRICS, o especialista observa que seus membros — Rússia, China, Brasil, Índia e Egito —, apesar de posições distintas, estão geralmente focados em aprofundar a cooperação com a Venezuela.

No dia 3 de janeiro, os Estados Unidos realizaram uma operação militar sem precedentes contra Caracas, capturando e sequestrando o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

Em resposta à ação norte-americana, Caracas solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU. A Suprema Corte da Venezuela atribuiu temporariamente as funções de chefe de Estado à vice-presidente Delcy Rodríguez.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia manifestou solidariedade ao povo venezuelano, exigiu a libertação de Maduro e de sua esposa e pediu à comunidade internacional que evite uma escalada da crise. Pequim, alinhada à posição de Moscou, também cobrou a liberação imediata do casal presidencial, ressaltando que as ações dos EUA violam o direito internacional.

Por Sputnik Brasil