Consumo de serviços deve crescer 3% e o de bens recuar 0,48% no 1º trimestre de 2026, aponta Ibevar-FIA
Estudo aponta avanço expressivo em serviços e retração no varejo de bens, com destaque para delivery, seguros e itens básicos.
A economia brasileira deve iniciar 2026 com comportamentos distintos no consumo. Enquanto o setor de serviços tende a crescer 3,0%, o varejo de bens deve apresentar leve retração de 0,48% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados são de um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar) e da FIA Business School.
“A divergência entre bens e serviços reflete um ajuste estrutural no padrão de consumo. As famílias priorizam conveniência, experiência, proteção e recorrência, enquanto reduzem ou adiam a aquisição de bens físicos, especialmente os duráveis”, avalia Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School.
O levantamento, baseado em modelos econométricos e análises preditivas, antecipa tendências de consumo antes mesmo do término do trimestre. Para serviços, as projeções utilizam monitoramento de comportamento e interesse dos consumidores em ambientes digitais e redes sociais, com o apoio de técnicas de processamento de linguagem natural e inteligência artificial. Já as estimativas para o varejo de bens consideram séries históricas e variáveis como renda real, juros, crédito, prazo médio e inadimplência.
Varejo de bens
No varejo de bens, segmentos essenciais e de consumo recorrente sustentaram crescimento, enquanto bens duráveis e discricionários seguiram pressionados por juros elevados, crédito restrito e postergação de compras.
Artigos farmacológicos, médicos e de perfumaria devem avançar 6,86% no primeiro trimestre de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior. Também apresentam crescimento vestuário e calçados (+2,69%), equipamentos para escritório e comunicação (+3,97%), além de hipermercados e supermercados (+1,02%), refletindo a resiliência do consumo básico.
Por outro lado, segmentos como automóveis, motos, partes e peças (-2,25%), materiais de construção (-1,75%), móveis e eletrodomésticos (-1,99%) e livros e papelaria (-3,56%) seguem em retração, evidenciando menor apetite por compras de maior valor e mudanças estruturais nos hábitos de consumo.
Serviços
Entre os serviços, aplicativos de delivery (+21,2%), seguro residencial (+20,6%) e aplicativos de transporte (+15,9%) lideram o crescimento. Restaurantes, turismo, shows, spas e academias também apresentaram avanço relevante, indicando uma retomada consistente do consumo experiencial, sobretudo entre as faixas de renda média e alta.
Em contrapartida, segmentos tradicionais e presenciais, como streaming, cinema, teatro, consultoria e cursos, registraram retração.