Bolsas europeias fecham sem direção única após declarações de Trump sobre Groenlândia
Discurso do presidente dos EUA em Davos reduz tensões, mas incertezas sobre a Groenlândia mantêm mercados cautelosos.
As principais bolsas de valores da Europa encerraram o pregão desta quarta-feira, 21, sem direção única, mas conseguiram algum impulso após duas sessões consecutivas de queda. O movimento foi influenciado pelas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, descartou um ataque à Groenlândia. As falas ajudaram a aliviar parte das tensões entre Washington e aliados europeus, refletindo especialmente nas ações de empresas do setor de defesa.
Apesar do alívio momentâneo, a insistência de Trump em adquirir a ilha no Ártico mantém o mercado em alerta, diante das incertezas sobre possíveis negociações futuras.
Em Londres, o índice FTSE 100 registrou alta de 0,11%, fechando a 10.138,09 pontos. Em Frankfurt, o DAX recuou 0,51%, para 24.577,81 pontos. O CAC 40, em Paris, subiu 0,08%, encerrando a 8.069,17 pontos. Já o FTSE MIB, de Milão, caiu 0,50%, a 44.488,36 pontos. Em Madri, o Ibex 35 teve leve baixa de 0,01%, a 17.428,16 pontos, enquanto o PSI 20, de Lisboa, cedeu 0,04%, a 8.460,36 pontos. Os números são preliminares.
Entre as ações de destaque, a Rheinmetall, maior empresa do setor militar alemão, teve queda de mais de 2% em Frankfurt, enquanto a Leonardo recuou 1,48% em Milão. Persistem, porém, ameaças de novas tarifas progressivas contra oito países europeus, relacionadas à questão da Groenlândia. No discurso, Trump reforçou que busca "aliados fortes, não fracos".
No cenário político, o acordo comercial entre Estados Unidos e União Europeia permanece indefinido, após o Parlamento Europeu decidir congelar a votação de ratificação em resposta ao aumento das ameaças envolvendo a Groenlândia. Segundo a Bloomberg, o comitê de Comércio do Parlamento adiou a votação indefinidamente nesta quarta-feira, levantando dúvidas sobre a conclusão do pacto.
O Swissquote Bank avaliou que há uma "grande chance" de que um acordo sobre a Groenlândia não seja alcançado rapidamente. A expectativa é que Trump se reúna com líderes europeus ainda nesta quarta-feira, conforme agenda da Casa Branca.
Em Lisboa, a petrolífera Galp recuou 0,06%, após anunciar que irá focar na ampliação das operações de exploração e produção de petróleo no Brasil e na Namíbia. A empresa aposta na expansão do segmento "upstream" e projeta crescimento de 10% na produção brasileira até 2026, afastando rumores de aquisição.