SAÚDE • INOVAÇÃO

Vacina contra câncer de pele pode reduzir em até 49% o risco de morte ou retorno da doença

Estudo de fase 2 aponta resultados promissores para imunizante experimental contra melanoma em estágios avançados

Publicado em 21/01/2026 às 16:49
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Resultados de um estudo de fase 2 indicam que uma vacina experimental contra o melanoma, a forma mais agressiva de câncer de pele, pode reduzir em até 49% o risco de recorrência ou morte pela doença.

O levantamento acompanhou, durante cinco anos, 157 pacientes com melanoma em estágio 3 ou 4 — fases mais avançadas do câncer — após a retirada cirúrgica completa do tumor.

Parte dos participantes recebeu a vacina baseada em tecnologia de mRNA, chamada intismeran, em combinação com o pembrolizumabe (comercializado como Keytruda). O grupo de controle recebeu apenas o medicamento.

O estudo foi patrocinado pelas farmacêuticas Moderna e Merck (no Brasil, MSD), responsável pelo pembrolizumabe. Os resultados, no entanto, ainda não foram publicados em revista científica com revisão por pares.

Resultados promissores, mas ainda preliminares

Vacinas terapêuticas não são novidade: existem há mais de quatro décadas, segundo o oncologista Antonio Buzaid, cofundador do Instituto Vencer o Câncer.

“Elas são aplicadas por via intramuscular e estimulam o sistema imunológico, utilizando estratégia semelhante à das vacinas contra a covid-19”, explica Buzaid.

O especialista ressalta que os novos dados são promissores, mas ainda preliminares. Não há evidências conclusivas de que vacinas terapêuticas aumentem a sobrevida global após o melanoma.

“Se um estudo de fase 3 confirmar esses resultados, esse tipo de vacina terapêutica deve ser aprovado para melanoma e, possivelmente, para outros tipos de câncer”, afirma Buzaid, que não participou da pesquisa.

Segundo as farmacêuticas, o recrutamento de pacientes para o ensaio clínico de fase 3 já foi concluído. Outros estudos também estão em andamento para avaliar a eficácia do imunizante em diferentes tipos de câncer.

O que é melanoma

O melanoma é a forma mais rara e agressiva de câncer de pele. Origina-se nos melanócitos — células produtoras de melanina, responsável pela cor da pele — e apresenta alta possibilidade de metástase.

A doença pode surgir em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, geralmente como manchas, pintas ou sinais.

Segundo o Ministério da Saúde, a regra internacional “ABCDE” auxilia na detecção precoce da doença, indicando alterações que devem ser avaliadas por um médico:

- Assimetria: uma metade do sinal é diferente da outra;

- Bordas irregulares: contorno mal definido;

- Cor variável: presença de várias cores em uma mesma lesão (preta, castanha, branca, avermelhada ou azul);

- Diâmetro: maior que 6 milímetros;

- Evolução: mudanças em tamanho, forma ou cor.

Para reduzir o risco de desenvolvimento do melanoma, é fundamental evitar a exposição excessiva à radiação ultravioleta desde a infância, adotando medidas como o uso regular de protetor solar. “O dano é cumulativo, por isso o cuidado deve começar cedo”, orienta Buzaid.