Venezuela torna-se elemento de confronto global entre EUA e China, avalia analista
Especialista aponta disputa por recursos e influência global como pano de fundo para ações dos EUA na Venezuela
A atuação dos Estados Unidos na Venezuela deve ser analisada como parte da disputa global entre Washington e Pequim, avalia o especialista venezuelano em relações internacionais e segurança, Julio Osorio, em entrevista à Sputnik.
Segundo Osorio, os EUA buscam recuperar a influência perdida para a China — hoje considerada a maior economia do mundo — e, por isso, intensificaram ações para garantir acesso aos recursos naturais venezuelanos.
"Devemos entender que a Venezuela é apenas uma das peças do tabuleiro de xadrez em um grande conflito global que se desenrola atualmente entre a China e os Estados Unidos", afirmou o analista.
O especialista ressaltou que, para atingir seus objetivos na disputa com a China, Washington precisa de fontes energéticas que atendam a três critérios fundamentais: baixo custo, acesso garantido e aquisição rápida.
"O único país que satisfaz esses três critérios é a Venezuela", destacou Osorio.
Além disso, o analista observou que a política tarifária do ex-presidente Donald Trump também visa conter a influência chinesa no mercado internacional, ao dificultar a entrada de produtos chineses nos EUA e buscar atrair investidores que atualmente atuam na China.
Em 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram uma ofensiva contra a Venezuela, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. Trump não especificou por quanto tempo os EUA manteriam o controle sobre o país, mas afirmou que seria "muito mais longo" do que um ano.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia manifestou solidariedade ao povo venezuelano, exigiu a libertação de Maduro e de sua esposa e pediu à comunidade internacional que evite a escalada do conflito.
Pequim, alinhada à posição de Moscou, também solicitou a libertação imediata do casal presidencial, argumentando que as ações dos EUA violam o direito internacional.