RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Tensão permanente de Trump com UE ajuda acordo Mercosul-UE, diz presidente da Apex

Jorge Viana aponta que conflito entre EUA e Europa favorece negociações e defende campanha para melhorar imagem do Brasil no continente europeu.

Publicado em 22/01/2026 às 16:12
Tensão permanente de Trump com UE ajuda acordo Mercosul-UE, diz presidente da Apex Reprodução / internet

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana, afirmou nesta quinta-feira (22) que a constante tensão entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a União Europeia contribui para o avanço do acordo entre Mercosul e UE. A declaração foi feita durante entrevista na sede da agência.

"O presidente dos Estados Unidos está ajudando muito nisso, porque ele tensiona muito com a Europa, o tempo inteiro. E, óbvio, que a Europa vai ter que remodelar sua geopolítica econômica", destacou Viana.

Segundo o presidente da Apex, o cenário internacional é favorável para acelerar as negociações do acordo Mercosul-UE, mas o governo brasileiro precisa intensificar esforços para melhorar a imagem do país junto à opinião pública europeia.

Apesar dos desafios, Viana demonstrou otimismo e acredita que uma solução será alcançada até 2026, mesmo após a judicialização do acordo pela Comissão Europeia. "Vamos encontrar a solução, sou bem otimista, e eu acho que ainda é em 2026. Vamos trabalhar para isso, aqui e lá", afirmou.

Viana ressaltou que 47% do comércio entre Brasil e União Europeia corresponde à indústria de transformação e 23% ao setor agropecuário. Nesse contexto, ele pretende organizar uma missão parlamentar brasileira à UE, contando com o apoio do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

De acordo com Viana, a estratégia é aprovar o acordo Mercosul-UE nos parlamentos do bloco sul-americano antes de buscar a aprovação europeia. Com o acordo aprovado no Brasil, a expectativa é que a missão parlamentar à Europa ocorra até março deste ano.

Judicialização e campanha de imagem

Para o presidente da Apex, a judicialização do acordo pela Comissão Europeia é um movimento legítimo de protelação. "Judicializar é uma maneira de postergar. É legítimo? Claro que é legítimo. É parte do processo. Mas a gente também pode fazer outro movimento. O que o Brasil pode fazer nessa hora? Apressar a votação. Pedir aos congressistas que votem o acordo no Mercosul", explicou.

Viana reforçou a necessidade de mudar a percepção do agronegócio brasileiro na Europa, anunciando uma campanha educativa e publicitária para valorizar a imagem dos produtos nacionais. "Nós vamos ter que fazer isso de imagem. Imagem do agro, dos produtos, mas nós vamos fazer uma campanha quase como educativa sobre o Brasil", disse.

Segundo ele, pequenos produtores brasileiros também serão beneficiados pelo acordo, especialmente em mercados complementares como o de mel, onde não há concorrência direta na Europa.