Conselheiros do Cade acompanham relator e rejeitam recurso da Petlove sobre fusão Petz-Cobasi
Decisão mantém aprovação da fusão, condicionada à venda de lojas e outros remédios comportamentais em São Paulo.
Em votação no circuito deliberativo virtual, os conselheiros do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acompanharam o relator José Levi Mello do Amaral Jr. e rejeitaram os embargos de declaração apresentados pela Petlove no processo de fusão entre Petz e Cobasi. A homologação do resultado foi publicada nesta quinta-feira, 22, no Diário Oficial da União.
Segundo o conselheiro-relator, não há contradição ou omissão a ser corrigida na decisão anterior. Para José Levi, a alegada contradição apontada pela Petlove "talvez seja resultado de assimetria informacional decorrente do acesso limitado às informações existentes na versão restrita do ACC", devido a cláusulas confidenciais. Ele ressaltou ainda que a possibilidade de haver dois ou mais compradores é uma exceção.
"Reputo necessário, de forma cautelosa, explicitar que a possibilidade de haver dois ou mais compradores constitui apenas uma exceção (e hipotética, ao menos por ora), para a qual existem salvaguardas voltadas à preservação da força do remédio", escreveu o relator, ao decidir pelo não provimento dos embargos. Este foi o último recurso administrativo para sanar possíveis omissões, contradições, obscuridades ou erros materiais na decisão do plenário.
A fusão entre Petz e Cobasi foi aprovada pelo Cade em 10 de dezembro, condicionada à assinatura de um Acordo em Controle de Concentração (ACC), que prevê a venda de um conjunto de lojas em São Paulo. Também foram definidos outros "remédios comportamentais" entre os advogados das empresas e os conselheiros do órgão.
O acordo determina a venda de 26 lojas no Estado de São Paulo, responsáveis por 3,3% do faturamento das duas companhias combinadas nos últimos 12 meses até o terceiro trimestre. Atualmente, a Petz possui 125 lojas em cidades paulistas, enquanto a Cobasi conta com 149 unidades.
A fusão foi concluída em janeiro de 2026, dando origem à União Pet, nova líder do mercado pet brasileiro, que passa a operar sob o ticker AUAU3 na B3. Com isso, a Petz se torna subsidiária da Cobasi, unificando as operações e marcas das duas redes.
A Petlove, terceira maior varejista do setor, participou como interessada no processo, que estava em análise no Cade desde meados de 2024. A empresa alegou que o texto do acordo permitiria a alienação dos ativos das empresas a um ou mais compradores, o que possibilitaria a celebração de contratos distintos e alienações em momentos diferentes.
Segundo a Petlove, a redação do acordo estaria em desacordo com manifestações de alguns conselheiros, que teriam indicado que a venda dos ativos seria feita a um único comprador.